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Quantos anos vive um chimpanzé?

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Chita (Foto: Reprodução)

Em decorrência da morte do chimpanzé de nome Chita, que trabalhou nos primeiros filmes da série Tarzan na década de 30, estabeleceu-se um debate aberto sobre quantos anos vive um chimpanzé, já que alguns colocaram em dúvida se era possível que um chimpanzé tivesse alcançado os 80 anos de idade.

Para responder esta pergunta, podemos responder que os chimpanzés vivem como os humanos. Na África Central, o ser humano tem uma expectativa de vida que não ultrapassa os 45 anos; Nos países nórdicos já ultrapassa os 80 anos. Por que esta diferença? A qualidade de vida e o cuidado da saúde das pessoas determinam geralmente os anos que podem sobreviver. No caso dos chimpanzés é a mesma coisa.

Um chimpanzé na floresta africana não ultrapassa os 35 anos, devido aos perigos a que está submetido. A caça por humanos, a contaminação com doenças humanas para as quais não têm imunidade, a destruição de seu habitat, que o empurra a áreas mais inóspitas e perigosas, motivam que sua vida se encurte muito.

O lobby dos zoológicos e os Centros de Tortura Médica têm disseminado a informação falsa de que um chimpanzé não passa mais de 40 anos em cativeiro, e com esta idade já o consideram idoso. O que eles não explicam é que esses cativeiros na realidade destroem a vida dos primatas prematuramente.

Nos zoológicos, em especial, a vida de um chimpanzé se encurta dramaticamente. E temos as provas aqui, no Brasil, onde nos últimos 10 anos há um recorde de morte de primatas em todos os nossos zoológicos. Se não existisse a reposição pela importação, praticamente os chimpanzés não existiriam mais nos zoológicos brasileiros.

O chimpanzé submetido à exibição pública, e em contato com milhares de humanos que carregam inúmeras doenças para as quais eles não tem imunidade, além do estresse constante pelo assédio do público, vai morrendo aos poucos anos nesses cativeiros.

Nossa experiência com Santuários – incluindo o nosso de Sorocaba – é que se o chimpanzé tem pouco contato com humanos desconhecidos, tem um espaço vital de vários mil metros quadrados para exercitar-se, tem uma boa alimentação e cuidados médicos eficientes, a vida consegue se estender como a de humanos em países desenvolvidos.

O caso Chita

Uma polêmica foi deflagrada devido a uma afirmação do escritor norte-americano Richard Dean Rosen, que em 2008 publicou uma matéria no Washington Post negando a existência de outro chimpanzé Chita, a não ser o que vivia em um refúgio em Palm Springs, na Califórnia. Agora, com a morte de Chita no dia 24 de dezembro, que morava no Santuário Suncoast, na Flórida, e tinha 80 anos de idade, Rosen afirma que esse chimpanzé não era o que trabalhou com Johhnny Wesmuller em Tarzan na década de 30, e que qualquer um que trabalhou naqueles filmes hoje deve estar morto, presumindo que não viveria mais de 40-50 anos.

Independente do fato do chimpanzé Chita falecida na Flórida ser ou não o verdadeiro, o que importa no debate é que um chimpanzé conseguiu sobreviver até os 80 anos. A dona do Santuário, Debbie Cohb afirmou que seu avô comprou Chita do próprio Johhnny Wesmuller em 1960, quando ela tinha 5 anos de idade e ele já era adulto. Agora ela tem 51 anos e assim é muito provável que a Chita que morreu na Flórida tivesse próximo, senão exatamente, de 80 anos de idade.

Nós temos uma chimpanzé com 50 anos de idade, Francis, que veio da Bolívia, assim como temos outras duas, Tuca e Margareth, que estão próximas a essa idade. Apesar de ter sofrido uma vida miserável nas mãos de circenses e zoológicos que as debilitaram profundamente, conseguiram sobreviver.

Voltando à pergunta inicial: Quantos anos vive um chimpanzé? Se fizermos questionamentos a eles, tenham certeza que a resposta aproximada será: Se viver em um zoológico, desejaria morrer, se viver em um Santuário, todos os anos que sejam possíveis! Não se deixe enganar. Não existe um humano idoso de 40 anos, como tampouco um chimpanzé. Se o são é porque a qualidade de vida que padecem é péssima. E isso pode mudar. E em nossas mãos está fazê-lo!

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  1. Você não imagina o alívio que me dá ler seus artigos, sempre informando e apontando a saída ética para nossa interação digna com os primatas. Obrigada por seu cuidado desses outros antropóides, e por escrever para um público ao qual poucos cientistas se dirigem. Você é um anjo dos “macacos”!

  2. Taí uma ideia que daria um artigo bem interessante, pedro:

    Você relativizou brilhantemente as nossas expectativas sobre o tempo de vida de um chimpanzé, talvez você também pudesse relativizar nossas afinidades eletivas com outros primatas, como quando os elogiamos com um “nossos parentes mais próximos”. Afinal de contas, os grandes primatas não tem valor nem são admiráveis só porque se parecem genética e fenotipicamente com a gente, eles o são a despeito disso, né??

    Só pensando alto rs adorei o texto!

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