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Onde houver ódio

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Em 2010 aproveitei uma estadia em Firenze e peguei o trem para Assis. Desci até a catacumba da Catedral onde está enterrado o padroeiro dos animais. O homem que fundou no século 13 princípios éticos que só começariam a ser respeitados de verdade no século 21. Não tinha como não me emocionar.

Por que estou falando de São Francisco de Assis? Na minha última coluna contei sobre uma pesquisa que liga a prática de sexo com animais com um aumento de incidência em casos de câncer de pênis. Recebi 39 comentários. Todos eram muito emocionais, o que é perfeitamente compreensível. E entre os comentários encontrei muitas frases aqui reproduzidas como vieram: “câncer é pouco para esse idiotas” e “tomara que todos morram”.

Respeito essas manifestações mas não concordo com elas. Concordo com outras, que pedem proteção legal às éguas, ovelhas, cadelas etc., que são violentadas por esses homens. Quero que essa abominação seja proibida e que os infratores sejam punidos.

Gostaria também que a zoofilia também fosse combatida através da educação e de campanhas na mídia.

Meus olhos já viram cenas horrendas, de cães sendo torturados em restaurantes chineses e peixes sendo comidos vivos. Senti repulsa de todos os humanos que provocaram tanto sofrimento. Mas nem por isso me vejo no direito de desejar a morte ou doenças terríveis contra nenhum deles. Quero apenas que parem com esses horrores já.

Não sou um santo. Sorrio com maldade quando vejo um touro enfiando meio chifre no corpo de um toureiro. Mas não desejo isso.

Não pretendo desligar minhas atividades de defensor dos direitos animais dos princípios que São Francisco de Assis citava na sua poderosa oração:

“Onde houver ódio, que eu leve o amor. Onde houver ofensa, que eu leve o perdão. (…) Onde houver erro, que eu leve a verdade. Onde houver desespero, que eu leve a esperança. Onde houver tristeza, que eu leve a alegria. Onde houver trevas, que eu leve a luz”.

Ainda não tenho a evolução espiritual para amar um sujeito que manda enfiar funis pelas gargantas de gansos. Mas não desejo o mal deles. Desejo apenas luz em suas trevas e esperança às suas vítimas.

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  1. Eu queria ter um pouco do amor de São Francisco. Mas ao saber de atrocidades com animais só consigo desejar o mesmo para esses seres ” humanos”

  2. Também não sou tão evoluído, eu enfiaria funis pela garganta dos criadores de ganso supracitados e venderia-os em forma de patê ao mercado. São Francisco traz a paz, já eu quero é a espada de São Jorge varando os inimigos dos animais.

  3. Concordo plenamente. Nossa luta deve ser ativa, mas pacífica (não passiva). A luta é por justiça e respeito a vida e isto para vale para todos.

  4. Concordo com vc, tb não sou santa, sinto mta raiva, mais ai penso: Estou me igualando a eles. Ai rezo: Senhor, mostre a verdade p/ estas pessoas e transforme-as. abs.

  5. Gostaria muito de ser mais espiritualizada pra não desejar a todos que causam sofrimento aos animais um castigo igual, ou melhor desejo que o castigo seja triplicado,pois os animais são anjos na terra.

  6. Pra mim, é muito desconcertante alguém pedir ao Senhor que ilumine o caminho de uma pessoa violenta, mas não pedir o mesmo para si próprio, inundado de desejos da mesma moeda. A culpa é sempre do outro, o mal está sempre no outro, nunca em nós mesmos, que ideia é essa?!?

  7. Dagomir, fiquei muito feliz com seu texto, pois também sou humana, espírito em plena evolução neste planeta de provações. Mas como educadora e militante, sinto nas crianças e adolescentes com quem interajo, o quanto faz mal o lema do “olho por olho, dente por dente”. Somente o exemplo de paz, de amor, mesmo de forma indignada, a exemplo de Francisco, pode mudar essa realidade. Enquanto desejarmos o mal, ele persistirá. Grande abraço
    Andresa

  8. E’ triste pensar que isso acontece a cada minuto com inocentes…
    E’ como Jesus disse na Cruz: “Deus… Perdoai, eles nao sabem o que fazem”. Tb procuro ter compaixao a essas pessoas que estao na maldade e ignorancia… Mas peco que Deus nao permita que estes inocentes sofram. Eita gente dificil meu Deus! Otimo texto. (marlene)

  9. Maravilhoso!! Admiro o Dagomir cada vez mais, mas não sou nada moderada. Tenho muito o que evoluir ainda. E sentiria prazer em ver pessoas covardes pagando o sofrimento que causam, com sofrimento próprio. Infelizmente, essa sou eu. Parabéns Dagomir Marquezi, mais uma vez..

  10. Falar bonito é muito fácil. Mas senti nem tanto , sou ser humano e não consigo deixar de me indignar.Mas penso que a mobilização em busca da conscientização insistente que fazemos todos os dias , às vezes de forma chata ,em nome de quem não tem voz e vez, é o que vale.Esclarecimento e lei são boas iniciativas.

  11. Não acho que a raiva (principalmente a demonstrada aqui nas opiniões dos leitores) seja necessariamente motivadora de ações negativas, de violência e intolerância. Pelo contrário, muitas vezes indignar-se e inconformar-se motivam a mudança, a cobrança de punições mais justas, a “chacoalhada na mente” de quem está ao redor. Bem direcionada, a raiva é algo até bem positivo.

  12. Indignação é uma coisa, desejar o mal ao próximo, mesmo sendo ele um criminoso, é outra. A indignação que move minha militância há 13 anos.

  13. Com certeza. Sabe quando eu vi aquele video horrorozo do cachorro guaxinim que é esfolado na China e permanece vivo, olhando pra camera, levei um choque, porque nunca tinha visto aquilo… mas não tive exatamente odio do homem que fez …mas pedi perdão a Deus pela ignorancia…. as vezes eu sinto muito raiva mesmo do que fazem aos animais… mas ao mesmo tempo penso que essas pessoas ja vivem em um inferno, já são atormentadas….esse odio que as pessoas sentem, é uma forma de expressar um desejo de proteger essas vitimas e de querer mudar isso.

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