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Um triste fim para um rei

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Após longo processo em que perdeu, progressivamente, sua liberdade, seu bem-estar, sua saúde e sua companheira, o leão Yuri recebeu, no começo de junho, uma injeção letal. Era o fim de uma existência que, em nenhum momento, esteve à altura de sua alteza, o chamado ‘Rei dos Animais’.

No ano passado, o Zoológico de Niterói (ZooNit), onde Yuri viveu durante cinco anos, foi envolvido em uma série de denúncias, incluindo falta de condições técnicas e maus-tratos aos animais. De acordo com o IBAMA, quando foi transferido do zoo de Niterói para o de Brasília, em fevereiro deste ano, já estaria com a saúde comprometida.

Segundo nota (*) divulgada pela agencia federal (veja abaixo, na íntegra), o leão sofria devido a um tumor maligno na mandíbula (carcinoma), detectado após avaliação odontológica especializada, além de ser portador do vírus da FIV (síndrome da imunodeficiência felina).

Em resposta, o veterinário do ZooNit, Marco Janackovic de Oliveira, afirma que Yuri, resgatado de um sítio em Rio Bonito (RJ), “não possuía carcinoma desde que chegou ao zoo, em 2006”.

Tudo indica que o leão Yuri, de 15 anos, e sua companheira Nalia, sofreram por conta de uma separação forçada. Enquanto Yuri foi transferido para Brasília, Nalia foi levada para o zoo de Volta Redonda (RJ) e, segundo relatos, desde então os dois ficaram deprimidos por sentirem a falta um do outro. No começo deste mês, Yuri foi sacrificado por veterinários do zoo de Brasília, enquanto que a Nalia, provavelmente, não guarda esperanças de um dia reencontrar seu parceiro.

Um histórico tumultuado

Os problemas vividos pelo zoológico de Niterói refletem a crise permanente desta instituição, seja no Brasil ou em outros países do mundo. Ele foi inaugurado em 1942 pelo então governador do Rio de Janeiro, Amaral Peixoto, como uma extensão do Horto Botânico. Em 1950, durante a gestão de Edmundo Soares, passou por reforma e passou a se chamar Vital Brazil. Desde então, o zoo foi caindo em abandono e, no inicio dos anos 1990, Giselda Candioto, assumiu o controle do local com promessas de melhorá-lo.

Ao que tudo indica a promessa não pode ser cumprida e, no dia 6 de abril deste ano, uma decisão da 3ª Vara Federal de Justiça de Niterói, a pedido do IBAMA, estabeleceu 120 dias de prazo para a remoção de todos os animais. No começo de junho, porém, em outro lance dessa tumultuada história, a direção do ZooNit conseguiu a suspensão temporária do processo.

Enquanto a decisão de desativar ou não o zoológico não se confirma, sua diretora, Giselda Candioto, faz o que dela se espera. Resistindo às críticas, entrou na Justiça com um pedido de anulação do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado em 2004, alegando falta de requisitos específicos para cumprir as medidas exigidas.

Por sua vez, o IBAMA, afirma que o zoo não tem condições de manter os animais. “O ZooNit não possui registro como zoológico, pois nunca cumpriu integralmente as exigências mínimas para a obtenção da licença. O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), de 2004, celebrado como tentativa de regularização e concessão da licença para funcionamento, também não foi cumprido integralmente, constatado por vistoria em março de 2007”.

Já na década de 90, o zoológico de Niterói mostrava despreparo no manejo de seus animais. Em 1994, o leão Sansão saiu preguiçosamente e sem esforço nenhum de sua jaula, caminhou alguns metros, bocejou para os frequentadores atônitos e deitou a poucos metros de seu “quarto”. Passados alguns minutos, decidiu voltar para o recinto que dividia com a companheira, a leoa Elza, e voltou a dormir.

Diferentemente da grande maioria dos outros animais, os leões são capazes de se reproduzir em cativeiro, o que torna a situação desses felinos nos zoológicos bastante complicada. Manobras e trocas, algumas obscuras, facilitam o surgimento desses animais em circos ou enfeitando coleções particulares.

O triste episódio da morte do leão Yuri ilustra a questão que a ARCA Brasil levantou há alguns anos: Qual o papel dos zoológicos nos dias atuais? A resposta a esse e outros questionamentos é aguardada por todos sensíveis à causa dos animais e, certamente, pelos animais aprisionados.

(*) Nota do Ibama:

“Logo após sua chegada foi observado problema em seu dente canino inferior direito. O animal foi medicado e, como não apresentou melhora do quadro, passou por avaliação odontológica especializada, sendo constatado abscesso e perda óssea mandibular. A biopsia do material acusou carcinoma de células escamosas, tumor maligno agressivo e com alta taxa de recidiva. O tratamento disponível incluía a retirada da mandíbula e radioterapia/quimioterapia, que causaria sofrimento crônico e definhamento do animal, com grandes chances de retorno do tumor após alguns meses. Dessa maneira, a conduta indicada foi a eutanásia, em conformidade com a ética profissional. O animal apresentou sorologia positiva para FIV, entretanto, não houve correlação entre a doença e a eutanásia do leão. A retirada de Yuri do ZooNit não influenciou a manifestação e evolução do tumor, bem como o prognóstico da doença”.

Fonte: Projeto GAP

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  1. a gente fica, como sempre, batendo na mesma tecla, mas há como ser diferente?

    Zoológicos devem ser locais de pesquisa na área da fauna e, eventualmente, local que abrigue animais em situações que só uma instituição de pesquisa teria como atender.

    Devia ser uma instituição longe de lucro em bilheteria, sem voyerismo e muito menos sem alcunha de lazer familiar. Desde quando ver seres aprisionados é cultura ou entretenimento?

    Uma instituição afastada de uma suposta conjectura que ali exista pedagogia, Educação Ambiental ou aprendizado, como tentativa solene de justificar sua existência.

    O que se vê é um cenário triste, desproposital no sentido filosófico da existência, humilhante aos animais e em desacordo com o que preconiza uma sociedade planetária.

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