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Projeto que resgata e reabilita macacos de diversas espécies está em risco de acabar

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Vítimas do tráfico de animais, dos maus-tratos e da desnutrição, macaquinhos de várias espécies, como sagui, mico-de-cheiro e bugios, chegam ao santuário do Projeto Mucky. Trazidos pelo Ibama e outros órgãos e instituições como o CETAS e Mata Ciliar, tem uma última chance para que consigam sobreviver com qualidade de vida.

Nos seus 25 anos de existência, sempre houve dificuldades, mas agora o santuário constará da lista de perigo de extinção, se não for ajudado por pessoas e empresas. A necessidade diária de se fornecer alimentação fresca e adequada a esses primatas, composta de frutas e legumes, e um mingau essencial feito a base de leite em pó, bem como pessoal para preparar e servir a alimentação três vezes ao dia aos macaquinhos, está comprometida. Assim como todos os outros tratamentos de fisioterapia e acupuntura, os quais alguns saguis necessitam, podem acabar devido a falta de pagamento do salário dos técnicos.

Veja nesse vídeo um pouco do dia-a-dia do Projeto Mucky

Como no Brasil, não existe nenhum subsídio que favoreça qualquer entidade que se proponha a abrigar, alimentar, medicar e manter animais vítimas de maus-tratos e abandono, bem como resgatados do tráfico, ongs como o Projeto Mucky dependem única e exclusivamente da doação e da consideração das pessoas físicas e da conscientização das pessoas jurídicas que incluem em sua trajetória responsabilidade social.

Enfraquecidos

“Os animais chegam aqui extremamente debilitados, com sequelas (marcas, consequências) físicas e emocionais, resultado do tráfico de animais silvestres”, resume a fundadora e coordenadora do projeto. O local abriga não apenas alojamentos para os animais, mas também pessoas dedicadas à causa, que trabalham em prol do bem-estar dos primatas. Elas passam o dia cuidando, com extremo zelo, de cada um.

Um exemplo de toda essa dedicação é o sagui Pacheco. Paraplégico, ele tem dificuldades de urinar e defecar sozinho. Por isso, é preciso da ajuda diária das tratadoras, que o auxiliam com massagens. “Ele ficou assim devido a um acidente doméstico. Provavelmente tentou subir em uma mesa, e como não conseguiu se agarrar em nada, caiu e se machucou seriamente.”

O projeto também conta com uma enfermaria. Atualmente, um filhote de bugio-ruivo, de cinco semanas, fica em um recinto especial, pois perdeu a mãe. “Os traficantes matam a mãe para vender o filhote”, detalha Lívia. “Mas as pessoas se esquecem de que os filhotes crescem e, por serem animais silvestres, apresentam comportamento às vezes agressivos, mordendo o tutor.”

Apesar das histórias relatadas por Lívia, muitas dignas de filmes de terror, boa parte dos primatas que chegam ao sítio consegue sobreviver. Mas apesar disso as sequelas são visíveis. Em cada viveiro, muito bem cuidados e limpos, há uma vida marcada pela ganância e pelos maus-tratos. “Deformidades nas patas causadas por desnutrição, alguns macacos sem braços ou pernas, outros sem rabo, outros com problemas neurológicos e emocionais. E por aí vão os exemplos de como o ser humano pode ser tão malvado.”

Casos

Das várias histórias tristes relatadas por Lívia, que se emociona toda vez que relembra delas, dois chamam a atenção e chocam qualquer pessoa. “Este sagui, a Purpurina, não tem um olho porque foi arrancado para fazer magia negra”, recorda. A outra história é do sagui Funcho, cego de ambos os olhos. “Este macaco é um exemplo de até onde a maldade do homem pode chegar. Queimaram seus olhos com um cigarro para ficar manso.” Impossível não se emocionar ao vê-lo tatear no local onde fica, em companhia de outro macaco, também da espécie sagui, se orientando apenas com a voz de Lívia. “Oi, meu amor, eu estou aqui. Como você está?”, pergunta a fundadora do Projeto, que tem um amor por eles impossível de descrever.

Doações

Mas, apesar de todo o trabalho e dedicação, o Projeto vive apenas da doação de empresas e de pessoas. “Não recebemos um centavo sequer do governo federal, estadual ou municipal. Isso faz com que passemos por muitas dificuldades. Há dias, por exemplo, que não temos dinheiro para colocar combustível no carro para buscar alguma doação.” Mesmo assim, Lívia não desiste. “Eles precisam de mim e nunca poderei desampará-los.”

As campanhas Padrinho Legal cobre apenas cerca de 30% do gasto mensal fixo. Outros cerca de 20% advém da venda de camisetas, adesivos e chaveiros, das taxas de adoções e de contribuições eventuais. Assim, todo mês temos que fazer apelos desesperados para cobrir os cerca de 50% de déficit mensal.

É primordial, portanto, que consigamos mais padrinhos para que possamos ter uma arrecadação mensal fixa que nos permita cobrir todas as nossas despesas, evitando assim que passemos todo mês pela angustiosa possibilidade de não ter como saldar nossos compromissos.

Assim, se você quiser se tornar um padrinho, ajudando tantos peludos necessitados, o procedimento é simples:

1) envie um e-mail para qualquer uma das entidades ASSUNTO: QUERO SER UM PADRINHO LEGAL!

2) na mensagem, informe seus dados (nome completo, endereço com CEP e telefone para contato)

3) informe o valor com o qual quer contribuir mensalmente e a melhor data para pagamento (dia 10, 20 ou 30).

4) Informe se quer pagar contra boleto bancário ou se prefere fazer um depósito em conta.

(Para pagamento por boleto o valor mínimo deverá ser de R$ 30,00 devido às despesas cobradas pelos bancos).

Conta para depósito

Bradesco
Ag. 0627
C/C 57633-6 o

Itaú
Ag. 0796
C/C 60400-7

O início

O Projeto Mucky teve início há 25 anos, quando Lívia recuperou um macaco, o Mucky, que vivia com um mendigo, no bairro do Limão, em São Paulo. “Ele tinha uma cordinha amarrada ao pescoço, que o machucava muito. Foi a partir daí que eu conheci as atrocidades do tráfico de animais.”

No sítio, a rotina é intensa: inclui o fornecimento de três refeições variadas para cada um dos 84 viveiros, pesagem dos animais, ornamentação das gaiolas com galhos, folhas e flores, duas rondas, de manhã e à tarde, para checar o estado de todos os macacos, banhos de sol e, aos mais debilitados, cuidados especiais por meio de hidroterapia, fisioterapia, florais e fitoterápicos. Jiló é um deles. Tem atrofia nos membros inferiores e quase todos os dias fica 20 minutos com as pernas mergulhadas numa pia cheia de água morna. Ali, a voluntária Mara Ramos lhe faz massagens, sob protestos do bichinho. Como Jiló, todos têm um nome, que Lívia sabe de memória. “E eles também sabem”, pontua.

Não é fácil para a ambientalista e sua equipe seguirem firmes nesse ideal. Todos os meses, a entidade tem gastos em torno de 18 mil reais, em função dos salários dos funcionários, compra de alimentos, remédios e outros itens. O pomar com árvores frutíferas utilizadas na alimentação, como embaúba e mangueira, apenas alivia as contas.

O resultado do tráfico são os efeitos que os primatas carregam por toda vida. “Isso acontece porque existem pessoas que compram esses animais como ´pets´, ou seja, achando que poderiam tratá-los como um cão ou gato doméstico.” Mas isso é um sério engano.

“Saguis são animais silvestres que pertencem exclusivamente à natureza, ao seu habitat, e não devem viver presos em casas ou apartamentos”, adverte.

Quem quiser colaborar com o Projeto Mucky pode entrar em contato pelo telefone (11) 4023-0143 ou no site http://www.projetomucky.com.br/.

Veja mais foto aqui.

Fonte: Mural Animal

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  1. Vou divulgar. Esse tipo de projeto não pode acabar. O governo deveria dar algum auxilio, pelo menos a essas entidades que cuidam na reabilitação de animais silvestres. Ou, de vez em quando, sortear uma ou duas ONGs para receberem auxilio do governo;
    Qualquer coisa. Acho uma grande irresponsabilidade do governo que deixa essas pessoas se matarem para fazer tudo sozinhas, com o próprio dinheiro e com ajuda de umas poucas doações, enquanto as autoridades dividem a ‘grana’ para viajar para o exterior, jantar em restaurantes de luxo, comprar paletós e joias para si ou para a esposa/amante, ao invés de investir em educação ou saúde.

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