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Tigres siberianos estão no limiar da extinção

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Por Alexandra Klabin (da Redação)

Imagem: Reprodução BBC

Em uma nova pesquisa, chegou-se à conclusão de que a população efetiva dos tigres de Amur conta com menos de 35 indivíduos.

Segundo informações da BBC, apesar de existirem cerca de 500 dos grandes felinos vivendo em estado selvagem, a população efetiva é  medida pela sua diversidade genética que, por sua vez, é um bom indicador das chances de sobrevivência do tigre de Amur.

Os resultados vêm da mais completa pesquisa genética já feita sobre os tigres selvagens de Amur, a mais rara das subespécies de tigre.

No início do século 20, existiam nove subespécies de tigre, com uma população total de mais de 100.000 indivíduos.

Impactos humanos desde então causaram a extinção de três subespécies, o tigre de Java, o tigre de Bali e o tigre do Cáspio, e os números do tigre do mundo podem agora ter caído para menos de 3000.

O tigre de Amur, ou tigre siberiano, como também é conhecido, é a maior subespécie que já viveu na península Coreana e nas regiões mais ao extremo sul do oriente da Rússia. De acordo com pesquisas recentes, o tigre de Amur é provavelmente descendente do tigre do Cáspio.

Durante o século 20, o tigre de Amur também foi quase levado à extinção: a expansão dos assentamentos humanos, a perda de habitat e a caça dizimaram sua população em mais de 90%.

Por volta de 1940 apenas 20 a 30 indivíduos ainda sobreviviam no estado selvagem.

Desde então, a proibição da caça e um notável esforço de conservação têm lentamente ajudado o tigre de Amur a recuperar. Hoje, até 500 indivíduos são estimados sobreviver na selva, enquanto 421 felinos são mantidos em cativeiro.

No entanto, a saúde genética do tigre não melhorou, de acordo com uma nova análise publicada na revista Molecular Ecology.

Pouca variação

Michael Russello e Philippe Henry, da Universidade de British Columbia, em Kelowna, Canadá, levaram uma equipe composta por elementos de universidades no Canadá, Japão e dos EUA em uma tentativa de analisar os perfis genéticos dos restantes tigres selvagens de Amur.

Foram tiradas amostras do DNA nuclear encontrado em amostras de fezes de cerca de 95 indivíduos, encontrados em todo o raio de alcance do tigre siberiano, constituindo, provavelmente, cerca de 20% do restante da população.

O estudo tirou amostras do montante de variação dentro do DNA de tigres numa área geográfica mais extensa que pesquisas anteriores.

“Embora o tamanho da população no censo dos tigres de Amur seja de aproximadamente 500 indivíduos, a população se comporta como se tivesse o tamanho de 27 a 35 indivíduos”, diz Russello.

Isso representa a mais baixa diversidade genética já registrada para uma população de tigres selvagens.

A população efetiva de qualquer grupo de animais é sempre inferior aos números que existem realmente, devido a fatores como a não reprodução de indivíduos, por exemplo.

“No entanto, o que é notável sobre o tigre de de Amur é o quanto o número efetivo da população é inferior aos números do censo”, diz Russello.

População dividida

Outra descoberta importante que emergiu do estudo foi que os tigres de Amur restantes estão agrupados em duas populações que raramente se misturam.

A maioria dos tigres de Amur vive entre as encostas da Rússia, nas Montanhas Sikhote-Alin, com mais ou menos 20 indivíduos vivendo separadamente no sudoeste, na região de Primorye.

Os dois grupos são separados por um corredor de desenvolvimento entre Vladivostok e Ussurisk, e a análise genética mostrou que, talvez, apenas três tigres conseguiram superar a divisão, reduzindo ainda mais o tamanho efetivo da população selvagem.

“Há pouca troca de genes entre o corredor de desenvolvimento, o que sugere que estas duas populações sejam bastante pequenas”, diz Russello.

“Na realidade, parece que os tigres siberianos são residentes em duas populações bastante independentes em cada lado do corredor de desenvolvimento entre Vladivostok e Ussurisk, diminuindo o tamanho efetivo para 26 a 28 para os de Sikhote-Alin e 2,8 a 11 para os do Sudoeste, na região de Primorye.”

Isso significa que mais trabalho precisa ser feito para abrir esta barreira que divide os tigres.

Se isso não acontecer, então é provável que a população de Primorye continue a diminuir. Isso também poderia por fim à possibilidade de reintroduzir os tigres de Amur da China, uma vez que os  Primorye são os que vivem mais próximos à sua distribuição original, na China.

Recurso Cativo

A notícia, no entanto, não é de todo ruim para o tigre de Amur.

A equipe de Henry e Russello também analisou o DNA nuclear e mitocondrial de 20 tigres siberianos cativos, para ver se eles mantiveram quaisquer características genéticas únicas que foram perdidas pelo os tigres selvagens.

“Existem variantes do gene encontradas em cativeiro que já não subsistem na natureza”, disse Russello, o que sugere que o programa em cativeiro teria feito um bom trabalho de preservação da diversidade genética das subespécies.

“Agora que é sabido que estes indivíduos possuem genes variantes; os gestores dos cativeiros serão capazes de produzir seletivamente para ajudar a preservar as variações de um gene único e raro”, diz Russello.

“A implicação disso é que esta variação pode ser usada para reintroduzir a população selvagem em algum momento no futuro, se as estratégias forem consideradas garantidas.”

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  1. Isso se deve ao fato da medicina tradicional chinesa usar ossos e partes do corpo do tigre como remédio e afrodisiaco… na China existe um parque em que os tigres de amur são confinados como gado,a mercantilização da natureza levou a extinção diversas espécies
    talvez ainda consigamos salvar este animal magnífico

  2. Não vejo motivo para que se evite a extinção de tais bichos perigosos que ameaçam vidas humanas, essa preocupação é um despropósito, uma insensibilidade diante de um bilhão de pessoas que passam fome no mundo, um mundo que estaria mais seguro sem esses animais.

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