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Manganês pode ter provocado mortandade de peixes no Rio dos Sinos (RS)

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Análise de animais mortos no rio apontou quantidade excessiva do elemento químico.

Enquanto o Ministério Público ainda aguarda laudos para identificar as substâncias causadoras da mortandade do Rio dos Sinos e culpa o esgoto dos municípios banhados pela bacia pelo dano ambiental, a Secretaria de Meio Ambiente de Novo Hamburgo (Semam) já apresenta outra versão para os fatos.

De acordo com relatório elaborado pelo biólogo Carlos Normann, a provável causa da morte de 3,5 toneladas de peixes é o excesso de manganês (elemento químico usado em ligas metálicas) encontrado nas águas, índice 14 vezes superior que o habitual. Para o biólogo da prefeitura, a substância pode ser proveniente de fungicidas ou agroquímicos usados em plantações de arroz. “Temos fortes razões para suspeitar disso”, alega.

O Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) contesta o documento. Segundo o coordenador regional do Irga da Planície Costeira Externa, José Gallego Tronchoni, existe apenas uma plantação de arroz em atividade no Vale dos Sinos, que fica em Sapiranga. “É impossível que essa propriedade de 90 hectares tenha causado tamanha tragédia”, considera. Tronchoni ainda garante que os arrozeiros utilizam apenas herbicidas, produto sem manganês.

O que apontou o laudo

Os testes foram realizados no laboratório de Zoologia e Botânica do Centro Universitário Metodista do Sul (IPA), em Porto Alegre (RS). Foram analisados exemplares de peixes coletados do Rio dos Sinos no dia 1º de dezembro. Para apontar a causa da morte dos animais, foram feitos três tipos de abordagens: sangue, fígado e brânquias

Sangue – O glóbulo vermelho do peixe tem um núcleo central

– Uma parte das células das amostras apresentou formação de micronúcleos, que são quebras ou perdas de cromossomos. Conforme o biólogo Carlos Normann, o esgoto cloacal não é mutagênico e por isso não tem capacidade de provocar alterações genéticas. A quantidade de peixes com alterações, em condições normais, é entre 2% e 4%.

No dia 1º de dezembro, foi encontrado um índice de 11% para células com micronúcleos e 20% para células alteradas. Por conta dessa constatação, o biólogo acredita que o produto foi jogado no Rio dos Sinos cerca de 48 horas antes dos peixes serem encontrados mortos.

Fígado – Assim como nos seres humanos, o fígado dos peixes metaboliza toxinas e é um importante indicador da saúde do animal. Nesse órgão existe glicogênio, tipo de açúcar responsável por manter reservas de glicose para uso imediato pelo corpo. Quando o fígado não pode gastar outras energias, acaba utilizando o glicogênio e acumulando grandes gotas de gordura nas células. No caso dos peixes analisados, havia visível diminuição de grânulos de glicogênio, alterando o funcionamento do organismo.

Brânquias – Esse órgão é o responsável pela respiração, entre outras funções. Nas brânquias, foi constatado aneurisma (lesão vascular) em vários filamentos, além de outras lesões nas células de revestimento dos filamentos. Como havia lesões, os peixes não conseguiram respirar de forma eficiente, o que agravou o quadro de saúde dos animais.

O prefeito de São Leopoldo, Ary Vanazzi, foi reeleito ontem em assembleia geral presidente do Consórcio Público de Saneamento Básico da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos (Pró-Sinos). Vanazzi solicitou a todos os prefeitos da região que se mantenham mobilizados em defesa do Rio dos Sinos e convidou a todos para encontro que o Pró-Sinos promove dia 12 de janeiro, às 14 horas, na Câmara de Vereadores de São Leopoldo, quando será debatida a mortandade de peixes no Sinos.

Direção

O vice-presidente do órgão é Daiçon Maciel da Silva (prefeito de Santo Antônio da Patrulha), a diretora geral é Gilda Maria Kirsch (prefeita de Parobé), o diretor financeiro é Flávio Foss (prefeito de Araricá), os conselheiros são Pedro Rippel (prefeito de Rolante), Gilmar Rinaldi (prefeito de Esteio), Jackson Schmidt (prefeito de Igrejinha), José Waldir Dilkin (prefeito de Estância Velha) e Tarcísio Zimmermann (prefeito de Novo Hamburgo).

Biólogo suspeita de ação humana

Segundo relatórios da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Novo Hamburgo, o índice de manganês normalmente encontrado na água é de 0,06 miligrama por litro. Em 1.º de dezembro, a quantidade era de 0,82 miligrama por litro. É essa diferença no percentual de manganês que faz o biólogo Carlos Normann acreditar que a substância não é proveniente da indústria metalúrgica ou do esgoto doméstico. “Existe a ação humana no despejo de agroquímico mal manejado das plantações de arroz”, avalia. Normann lembra que durante o voo sobre o Rio dos Sinos, ao longo de 70 quilômetros, foram encontradas várias saídas de água de lavouras.

Culpa é de todos, diz dirigente

O Rio dos Sinos, até o município de Campo Bom, tem 2,3 mil hectares de plantações de arroz. Desses, segundo o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), apenas 90 hectares estão em Sapiranga. Segundo o coordenador regional do instituto José Gallego Tronchoni, essa propriedade tem uma sanga no meio da lavoura, responsável por garantir o abastecimento. A água, afirma, é reaproveitada e não é devolvida para o rio. O dirigente informa que o período de semeadura já foi transferido para setembro para prevenir a criação de fungos, evitando assim o uso de fungicidas, além de não retirar água do rio nos períodos de seca. “É fácil desviar a atenção. Todos nós temos nossa parcela de culpa”.

Mais análises

Conforme o secretário de Meio Ambiente de Novo Hamburgo, Ubiratan Hack, foram encaminhados para laboratório amostras para identificar pesticidas e fungicidas de uso agrícola. A Semam ainda fará laudo semelhante ao divulgado hoje, com outras amostras coletadas no dia da mortandade. Já a Promotoria Regional de Defesa do Meio Ambiente aguarda a remessa dos demais laudos, em especial da água e dos sedimentos para análise técnica e confrontação dos resultados obtidos. A Fepam deve divulgar hoje os resultados de análises químicas da água e dos peixes.

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