• Home
  • Câmara de Piracicaba acata veto a projeto contra sacrifício de animais

Câmara de Piracicaba acata veto a projeto contra sacrifício de animais

22 comments

Em mais de três horas de discussão, religiosos e defensores de animais ocuparam a frente do prédio na rua Alferes José Caetano para pressionar os vereadores

A Câmara Municipal de Piracicaba (SP) acatou o veto do prefeito Barjas Negri sobre o Projeto de Lei 202/2010, que proibia sacrifício de animais em rituais religiosos. Depois de quatro horas de discussão, religiosos do Candomblé e da Umbanda venceram a queda de braço com os defensores de animais. E a jornada foi longa. Desde as 19h30 da noite de ontem, até mais 00h30, cerca de 100 pessoas – com pequena maioria dos religiosos – se reuniram em frente ao prédio do Legislativo, na rua José Alferes Caetano, para pressionar os vereadores. Ao final, a votação foi 7 a 5 contra o veto ao projeto de lei, mas, por questões regimentais, era necessário no mínimo nove votos para derrubá-lo.

Ronaldo Almeida, membro do PT Piracicaba e representante de religiões de matrizes africanas, foi o primeiro a subir na tribuna popular da Câmara Municipal para defender a manutenção do veto do prefeito. (Foto: Gustavo Annunciato)

A tese dos defensores dos animais foi tentar desvencilhar o aspecto religioso sobre o PL 202/10. “Não estamos aqui discutindo a questão religiosa, o que quero apresentar para os vereadores é a defesa da vida”, apontou o advogado Rogério Gonçalves, convidado pela ONG Vira Lata Vira Vida para defender o posicionamento dos defensores. Na mesma linha de pensamento seguiu o vereador Laércio Trevisan Jr., autor do projeto de lei. “Esse projeto não trata de princípios religiosos”, ressaltou o vereador do PR. Para ele, o que estava em discussão era somente o ritual.

Do lado dos religiosos, a teoria era em torno da opressão contra as religiões afro-brasileiras. Ronaldo Almeida, membro do PT Piracicaba e representante de religiões de matrizes africanas, foi o primeiro a subir na tribuna popular da Câmara Municipal para defender a manutenção do veto do prefeito Barjas Negri. Ele se atentou às palavras “uso” e “sacrifício” dos animais, apresentados na ementa do projeto de lei. “Se não poderá nem o ‘uso’ ”, salientou, “então, não poderá nem mesmo haver a revoada das pombas da paz na Festa do Divino”, disse. O mesmo argumento foi utilizado por Eduardo Gomes, outro representante de religiões africanas, e por vereadores que defenderam o veto, como Márcia Pacheco e André Bandeira.

A fala de José Antonio Fernandes Paiva (PT) foi considerada a mais polêmica, especialmente do ponto de vista político. Parceiro de Laércio Trevisan Jr. na oposição ao prefeito Barjas Negri, ele aparecia durante a tarde de ontem como “voto certo” contra o veto do chefe do Executivo. Porém, após receber orientação da Secretaria Estadual de Combate ao Racismo do Diretório Estadual do PT – texto que leu durante o seu discurso –, disse que se orientaria pela “fidelidade partidária” para justificar a sua mudança de posição sobre o veto ao PL 202/10. Mas, ao final, mudou novamente sua posição, votando contra o veto do prefeito.

Manifestação

Devido à importância que a votação do veto ao PL 202/10 tomou, a Câmara ficou lotada ontem à noite. Para coordenar a ocupação das cadeiras do plenário, o presidente José Aparecido Longatto distribuiu 16 senhas para cada lado acompanhar a votação dentro da Casa. O resto – cerca de 100 pessoas – acompanhou em frente ao prédio através de um telão. A convivência foi tranquila. Somente em um momento houve acusação de que os defensores de animais teriam chamado os religiosos de “gente do demônio”. Mas ninguém soube apontar quem teria gritado as palavras de ofensa. Durante as falas, cada parte manifestava indignação e aprovação de acordo com os discursos proferidos na tribuna da Câmara Municipal.

Fonte: A Tribuna

About the Author

Follow me


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

      1. Acho que você não sabe o que etnocentrismo significa. De qualquer forma, a liberdade religiosa deve ser preservada… As pessoas tem que ter o direito de, em nome de suas crenças, matar animais, perseguir minorias sexuais, menosprezar as mulheres, etc. Isso é exercício legítimo da liberdade religiosa.

  1. Lamntável, lamentável, mil vezes lamentável.Em nossos tempos não cabe mais sacrifícios em nome de religiões, isso é um atentado à vida e uma crueldade insana, é o mesmo que usar crianças inocentes em rituais de magia. Pelo amor a Deus não permitam essa violencia com seres inocentes que não nasceram para esse fim. Piracicaba perdeu uma grande oportunidade de mostrar que esta na frente contra a violencia contra os animais. Mais uma vez lamentável.

    1. Lamento, mas você está errado. O sacrifício de crianças não é a mesma coisa.
      Milhares de animais morrem diariamente para nos alimentarmos bem e por outros motivos fúteis mas que servem ao nosso bem estar. Não admitimos nada disso com as crianças.
      O problema é o uso de animais em religiões. Mas a sociedade usa e abusa deles sem que cause comoção alguma em você.
      Porém, a maioria dos usos de animais nas religiões afro tem a ver com a alimentação. Tão legítima quanto o sanduíche de pernil da quermece ou o peru morto de véspera no Natal.

  2. Encaminharemos para o Ministério Público para providências. Essa lei protege e incita à prática de CRIMES.O STF já se posicionou contrário à farra do boi e a municipalidade não pode contrariar a Lei Federal. Que vergonha, Piracicaba!Quanto atraso!

  3. Faltou dizer que todos os políticos envolvidos nessa ignomínia terão seus nomes lançados no nosso SErasa Ambiental no Cadeia para quem maltrata Animais, que já conta com quinze mil pessoas!

  4. TATIANA, TO COM VC!! TEM Q SER ENCAMINHADO PARA O MINISTERIO PUBLICO PARA CONTESTARMOS ESSA VIOLENCIA!!! E NEM SABIA DESSE LANCE DE SERASA AMBIENTAL, MAS ADOREI!!

    SITE DO ANDA, CONTESTEM, VAMOS UNIR FORÇAS PARA VENCERMOS ESSA GUERRA, POIS PERDEMOS UMA BATALHA, MAS A GUERRA TEMOS Q GANHAR!!!!!!!!!!!!!!

    1. não iremos dormir por conta do seu ódio .
      continuaremos com a nossa fé e não vamos nos calar temos direitos o q vc fez hoje para ajudar alguém ou a um animal vc nem sabe o q esta em questao então nao discuta e não publique uma idiotice dessas.

  5. Nossos politicos mostraram que Piracicaba ainda vive no século 8 (VIII). Acima do “direito de professar sua crença” está a VIDA. O veto do maldito prefeito é inconstitucional e imoral.

    1. Você é vegetariano? Não?
      Então não pode dizer: “acima do meu direito de comer carne está a vida!”
      As pessoas sempre procuram nas outras algo para espiar seus próprios pecados.

  6. Ontem, 06/12/2010, o que pudemos ver dos vereadores que votaram ao veto do Prefeito Barjas Negri, foi a total falta de sensibilidade e compaixão aos seres vivos. Concordando com o veto os senhores colaboraram para que o sangue de inocentes continue a correr, mas os senhores nunca e jamais serão votados novamente por pessoas que defendem a vida. Virão outras eleições, outros governos e os senhores felizmente estarão fora deles, porque pessoas que fazem politicagem barata, tem que estar bem longe de um Plenário. COMEMOREM A MORTE BEBENDO UMA TAÇA DE SANGUE DOS ANIMAIS SACRIFICADOS PELOS SEUS ELEITORES QUE GRAÇAS A DEUS SÃO POUCOS. PARA COMEMORAREM MAIS AINDA VAI PARA OS SENHORES MAIS UM CASO BÁRBARO DE UMA PROTETORA PEDINDO AJUDA POR DOIS CÃEZINHOS QUE ESTÃO PARA SEREM SACRIFICADOS POR PESSOAS QUE GRAÇAS AOS SENHORES PODEM CONTINUAR MATANDO E TORTURANDO A VONTADE. Não é na nossa cidade, mas no nosso país, no nosso Estado. COMEMOREMMMMMMMMM PORQUE ISSO TAMBÉM VAI CONTINUAR ACONTECENDO NA NOSSA CIDADE.

  7. Nenhum dos representantes que votaram contra o projeto sabe o que é ética.
    Ética na questão animal, significa entender que todo animal, inlcuíndo nós, buscamos a manutenção da nossa vida. Portanto, eles sentem vontade de permanecer vivos como nós e não desejam sofrer, também como nós.
    Quando se tira o direto da vida de um animal senciente (alguns vereadores nem deve saber o que isso significa, de forma que qualquer tema referente aos direitos animais discutido por eles é o mesmo que debater com uma parede)ou ele é torturado, há desrespeito à ética.
    Se o ritual religioso explica-se os sacrifícios de animais, o que dizer do sacrifícios de crianças em algumas “religiões”? É justificado por ser ritual religioso?
    Então eu tenho o “direito” de maltratar um animal e dizer que foi um ato religioso.
    É obvio que isso é um argumento dos mais baixos e toscos, e não vai se sustentar por muito tempo, ou até o avanço e progresso da humanidade.
    É como se tudo fosse permitido desde que feito em nome de uma religião.
    “Eu posso matar e maltratar, mas é minha religião.”
    “Sacrifiquei sim, maltratei e depois matei. É ritual religioso.”
    Deve-se tomar cuidade com religiões que pregam violência. A violência começa com a ignorância.
    Os representantes mais uma vez mostraram quem eles são, e não foi nenhuma novidade. Grande maioria nunca se interessaram por direitos animais. Gostam e querem fazer política, é isso, são ignorantes nessa matéria. A gente sabe que há pessoas mais esclarecidas fora desse meio, não é novidade. A surpresa seria o contrário, seria todos os vereadore e prefeito votarem a favor do projeto, aí sim seria uma novidade boa, um avanço.

    1. O sacrifício de animais é um ritual de elevação espiritual para tod@s. Os animais sacrificados são santificados por entidades que, posteriormente, os liberam para alimentar o corpo daqueles que necessitam.
      Engraçado é saber que vcs centralizam suas forças contra um prática que, diferente de certos setores comerciais, tratam os animais como objeto sagrado. Procurem ler, conhecer e compreender mais a cultura do povo afro-brasileiro! Não faço parte de nenhuma religião, mas estou estudando estes traços culturais e admito certas ações, como também critico outras. Espero que isso lhes sirvam de incentivo para atuar de outra forma com esta mesma bandeira!

      1. Muito bem, Ivan.
        Fico pensando nesse pessoal emocionado ao assistir ao filme Avatar, em como os habitantes de lá caçam e consomem animais sempre em rituais sagrados.
        Esse mesmo pessoal come carne industrializada .
        Esse mesmo pessoal não conhece nada da religião dos outros e quer dar pitaco no que pensam ser errado.

  8. Quando preparares um novilho para holocausto, ou para sacrifício, em cumprimento dum voto, ou para ofertas pacíficas a Jeová,com o novilho oferecerás uma oferta de cereais de três décimas partes duma efa de flor de farinha, amassada com meio him de azeite.
    Como a oferta de libação oferecerás meio him de vinho, para oferta queimada, em suave cheiro a Jeová. Assim se fará com cada novilho, ou cada carneiro, ou cada um dos cordeiros ou dos bodes. Assim o fareis com cada um, conforme o número que oferecerdes. (Números, 15:8-13)

    E no mesmo dia ofereceram em sacrifício ao SENHOR, do despojo que trouxeram, setecentos bois e sete mil ovelhas. (2 Crônicas 15:11)
    Também oferecereis um bode para expiação do pecado, e dois cordeiros de um ano por sacrifício pacífico. (Levítico 23:19)

    Citei os versículos bíblicos acima para dizer que o sacrifício para fins religiosos é tão antigo quanto a humanidade. Será que é difícil ver isso? Quanto hipocrisia!
    Gostam de ir às churrascarias e comer hamburgueres suculuntos no Mc Donald’s, cuja carne nem se imagina de onde vem e como o animal foi morto.
    Nas religiões que fazem sacrifício animal, incluindo o Judaísmo e o Islam (cujos aderentes só comem animais sacrificados em ritual próprio) há um cuidado todo especial para que o animal não sofra, pois sua carne será consumida por toda comunidade.

    1. Os animais são sacrificados pelo homem para alimento, experiências e uso industrial. Mantemos novilhos presos e sem ver a luz a vida toda para ter uma carne mais saborosa e cara. Todas as religiões do mundo não sacrificam mais animais num ano do que a agropecuária brasileira em 1 hora.
      A maioria dos animais são consumidos nos atos religiosos, assim como os católicos comem perus e porcos no Natal e bacalhau na Páscoa.

  9. Um coisa absurda como essa pow… Querendo pegar a sociedade protetora dos animais pra criminalizar uma ação religiosa sem ao menos saber quais são as condições que eles criam, tratam e sacrificam o animal. Se vcs se importam mesmo com os animais, prestem atenção a matança desnecessária que ocorre no Brasil para comercializar carne pro mundo; imaginando também os grilhões que este tipo de lógica pecuarista concentra em poucas mãos! SEJAMOS MAIS ATENCIOSOS E COERENTES COM A REALIDADE DO NOSSO POVO!

    1. Esse é o ponto, Ivan.
      As pessoas imaginam preconceituosamente como são as religiões de origem afro e depois querem proibi-las com base na ignorância. O correto seria conversar com todas as religiões e daí tirar o que é permitido. Aí não caem na besteira de proibir revoadas de pombos em festa católica e de cozinhar uma galinha só porque a cozinha é num terreiro de candomblé.

  10. Parabéns vereador Ricardo Almeida! Tem que ser muito gente boa para defender a liberdade religiosa diante do preconceito e da ignorância.
    As pessoas pensam que o sacrifício de animais nas religiões afro é ato cruel, gratuito e desnecessário. Sou a favor que as religiões em geral se reúnam e imponham limites e a partir daí se façam as leis de acordo com os costumes aceitos. Por exemplo, é ridículo que o católico possa sacrificar perus e leitões novinhos no Natal e o candomblessista não possa se alimentar de uma galinha conforme orienta sua religião.

{"email":"Email address invalid","url":"Website address invalid","required":"Required field missing"}
>