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Biólogo poderá ser autuado em R$ 50 milhões por abater guarás

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Foto: Antonio Costa / Gazeta do Povo

O presidente do Conselho Regional de Biologia do Paraná (Crbio-PR), Rogério Duílio Genari, pretende submeter o caso do abate de dois guarás, pássaros ameaçados de extinção, à comissão de ética do conselho. O abate, ocorrido em maio em Guaratuba, foi noticiado no domingo retrasado pela Gazeta do Povo e pela ANDA.

O biólogo Louri Klemann Júnior foi credenciado pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) para realizar pesquisa na Área de Proteção Ambiental de Guaratuba e coletar outras duas espécies, tapicuru-de-cara-pelada e caraúna-de-cara-branca, mas abateu os guarás. Ele teria confundido as espécies. O IAP poderá multá-lo em até R$ 50 milhões.

Segundo Genari, Klemann Junior não tinha Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), documento expedido pelo Crbio que credencia o biólogo a exercer suas atividades. “Ele não fez a solicitação de ART para abater qualquer tipo de ave no local, muito menos os guarás. É no mínimo estranho que o IAP, o Ibama e o Museu [de História Natural Capão da Imbuia] tenham dado a autorização sem a apresentação desse documento”, diz.

Genari afirmou ainda que, caso fique comprovado que o abate foi intencional, pretende sugerir a cassação da licença do biólogo e que ele seja denunciado ao Ministério Público. “A mim causa estranheza ele ter confundido as espécies. Alguém que só estuda isso não pode cometer esse erro. Se ele não tinha certeza, por que atirou mesmo assim?”, questiona. Genari avalia que não era preciso matar as aves para estudá-las. “É possível armar uma rede, capturar a ave, filmá-la, fotografá-la e soltá-la”.

Segundo nota da Diretoria de Biodiversidade e Áreas Protegidas do IAP, após ser informado do caso pela reportagem o órgão cancelou a licença concedida ao biólogo, que também deverá ser autuado. A nota afirma que a multa pode chegar a R$ 50 milhões. A diretoria afirmou que concedeu a licença de pesquisa após o biólogo apresentar todos os documentos exigidos, inclusive a licença de abate, expedida pelo Ibama, e que a ART não é exigida.

O Museu de História Natural Capão da Imbuia afirmou que é apenas o fiel depositário das aves (instituição responsável por receber os animais que são abatidos) e que não tem vínculo empregatício com o pesquisador. Segundo a assessoria do museu, o biólogo apresentou todos os documentos exigidos pelo Ibama e pelo IAP e a ART não constava entre eles. O Ibama foi procurado pela reportagem, mas não deu retorno até o fechamento desta edição.


Nota da Redação: Nenhuma espécie deveria ser morta, com ou sem licença, para que os seres humanos possam estudá-la. Não é porque não está em extinção que sua vida tem menos valor e pode, por isso, ser assassinada para estudo.

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  1. Sou biólogo e entendo a importância das coletas, estou aberto a diálogos para entender um motivo para não se coletar também. Bom, no caso dele como o de todo o profissional, ele precisa ser responsável pelos seus atos, um ornitólogo precisa saber identificar sua ave alvo de estudo com certeza e agir dentro da legalidade para realização dessa coleta. Se infringiu lei, multa nele, sou totalmente a favor, com uma atitude dessa ele não contribui em nada para o progresso da sua própria ciência e quebrou o juramento de quando recebeu seu diploma.

  2. Não tem que coletar mais nada. Depois não cuidarão do museu mesmo como as cobras que queimaram em SP. Que tirem fotografias e não matem mais animal algum.

  3. Quem ignora as peculiaridades e exigencias do trabalho alheio não deveria palpitar levianamente sobre ele com base no que leu no jornal e na sua noção de proteção aos animais. Que tal um espaço para uma(a) profissional da área e de visão diferente poder se manifestar? Se este espaço não fizer parte dos grupos fundamentalistas – caracterizados por saberem de tudo e não precisarem de opiniões divergentes para poder formar a sua -, estou a disposição.

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