Salvem as vacas!


Vejo emocionada campanhas em todo mundo para salvar diversas espécies animais. Chamam bastante atenção – até pelo destaque que há na mídia – as ações em defesa das inocentes baleias, que são constantemente alvo da indústria baleeira japonesa. Há também campanhas para salvar pandas, gorilas, até o famoso mico-leão-dourado, que virou de boneco de pelúcia a personagem de stand up comédia.

O que eu nunca vi – e me corrijam, por favor, se eu estiver enganada – foi uma campanha para salvar as vacas. Não que eu questione o valor do trabalho de quem salva tantos outros animais; mas eu me pergunto: por que as vacas não?

Elas têm família como tantas outras espécies, são inofensivas, dóceis até. Quem já olhou bem nos olhos de uma vaca sabe do que estou falando. Elas têm aquele olhar zen de quem alcançou o estado supremo pelo qual nós batalhamos tanto: viver o hoje sem preocupação com o ontem ou o amanhã.

Mas a despeito das milhões de vacas mortas anualmente – em comparação com uns milhares de outras espécies – ninguém levanta bandeira para salvar um punhado delas. Como não sou sexista, quando falo de salvar as vacas que se leia implicitamente também bois, touros, bezerros e demais familiares que ganham geralmente o mesmo destino: o churrasco de domingo.

Será que a imprensa só dá cobertura para a matança das baleias porque elas são assassinadas em seu habitat natural? Se um maluco começasse a criar baleias para fornecer a carne para restaurantes de luxo, então a matança estaria liberada? As imagens com dezenas, centenas de carcaças de baleias espalhadas pelo mar de sangue na beira da praia serão menos traumáticas se as baleias tiverem sido criadas especialmente para esse fim?

Há quem diga que baleia não pode matar porque está em extinção. Mico-leão-dourado também. Mas cachorro não está em extinção, não. Então esse pode matar? E coelho, que se reproduz tão facilmente, pode matar de dúzia? “Mas coelho é fofo”, dizem em defesa do bichinho. E vaca não é? Se a vaca não é fofa, pior para ela. Que pelo menos não seja louca. E um porquinho, então, que coisa mais fofa… “Porco é sujo”, argumenta quem cresceu vendo em desenhos animados o porquinho se divertindo brincando na lama. Cachorro é bonitinho, gato é charmoso, mas vaca pode cortar em tiras para fazer bife.

Se as regras que usamos para assassinar animais fossem seguidas para os seres humanos, teríamos uma matança generalizada, acabando com os feios e sujos. Que grande poder teria a pessoa a decidir qual o padrão de bonitinho e fofo para escolher quem vive e quem morre. Da última vez que alguém resolveu experimentar coisa igual, acabamos no meio de uma guerra e o resultado foi catastrófico para a humanidade.

Para os “animais de criação” essa guerra não acabou e eles continuam pagando o preço por não terem nascido “animais de estimação”.

Em nome dos que são discriminados pelas leis humanas, que definem quem são os melhores e que merecem viver, chamo a todos para lançarmos a campanha: vamos salvar os bois, os porcos, as galinhas, os peixes e tantas outras espécies discriminadas, esquecidas e deixadas de lado na batalha em defesa dos direitos dos animais. Salvem as vacas!

“Virá o dia em que a matança de um animal será considerada crime tanto quanto o assassinato de um homem.”
(Leonardo da Vinci)


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