• Home
  • O consumo de carne e o aquecimento global

O consumo de carne e o aquecimento global

2 comments

Por Heron José de Santana, Luciano Rocha Santana e Tagore Trajano

Em recente artigo, publicado na revista The Economist, Peter Singer, professor de bioética da Universidade de Princeton,  revela que o consumo global de carne deve duplicar até 2020, de modo que na Europa e nos EUA já existe uma crescente preocupação ética com essa questão. De fato, o consumo de vitela caiu drasticamente quando as pessoas ficaram sabendo que para produzi-la bezerros recém-nascidos são separados aleatoriamente da mãe, mantidos artificialmente anêmicos e confinados em baias tão estreitas que eles não podem caminhar ou virar-se.

Relatórios da ONU revelam que a criação de animais de corte é responsável por cerca de 18% das emissões mundiais de gases estufa, que provocam o aquecimento do planeta, superando a indústria global de transportes.

Seja como for, a pecuária industrial nega aos animais uma vida minimamente decente, pois dezenas de milhares de milhões de frangos hoje produzidos nunca foram ao ar livre, e vivem em galpões que podem ter mais de 20 mil aves, onde o nível de amônia no ar decorrente de suas fezes acumuladas arde seus olhos e fere seus pulmões. Em seguida são abatidos com apenas 45 dias de idade, quando seus ossos imaturos dificilmente poderiam suportar o peso de seus corpos. As condições são ainda piores para as galinhas poedeiras, abarrotadas em jaulas tão pequenas que, mesmo se estivessem em apenas uma gaiola, seriam incapazes de esticar as  asas, o que leva as aves mais agressivas a bicarem até a morte as aves mais fracas. Para evitar esta situação os produtores cortam seus bicos com uma lâmina quente, sem qualquer anestésico, embora no bico dessas criaturas existam tecidos nervosos, pois são o  principal instrumento de seu relacionamento com o ambiente.

Porcos podem ser os mais inteligentes e sensíveis dentre os animais que geralmente comemos e  podem exercer essa inteligência explorando variados ambientes. Antes de dar à luz, as porcas utilizam palhas e galhos para construir um confortável e seguro ninho, que funciona como uma cama. Mas, hoje, as porcas grávidas são mantidas em jaulas tão estreitas que mal podem se virar ou ficar em pé. Os leitões são retirados da porca o mais rapidamente possível, para que ela possa engravidar novamente, sem nunca deixar o galpão, até que seja levada para o abate.Os defensores desses métodos de produção afirmam que embora eles sejam lamentáveis, são uma resposta necessária a uma população crescente em busca de alimentos.

É triste que o Brasil contribua com esta tragédia ambiental e, se isto continuar, o resultado será o sofrimento de animais em uma escala ainda maior e o aumento de desastres ambientais.

Não obstante, pessoas sensíveis como Paul McCartney  e Rajendra Pachauri, Nobel da Paz e presidente do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), alertam que os governos locais podem desempenhar importante papel ajudando os cidadãos a reduzirem o consumo de carne e outros produtos de origem animal, por exemplo, promovendo campanhas como “um dia sem carne por semana”.

De fato, na cidade de Ghent, Bélgica, esta campanha foi realizada pela parceria entre uma ONG e a prefeitura da cidade. Juntas, elas distribuem mapas da cidade com destaque para os restaurantes vegetarianos e folhetos explicativos, além de incentivarem a mudança no cardápio dos restaurantes da cidade. Ghent introduziu inclusive um dia vegetariano por semana nas 35 escolas municipais, uma iniciativa que também está ocorrendo em Baltimore, nos EUA. Programas semelhantes foram iniciados recentemente em São Paulo e em Hasset, Bélgica, e outras cidades estão estudando fazer o mesmo. Na Grã-Bretanha a campanha “ Segunda-feira sem Carne” está estimulando as pessoas a descobrirem os benefícios do vegetarianismo, e o governo sueco produziu um guia com orientações sobre alimentação saudável e favorável ao clima.

No Brasil, as pessoas continuam a consumir grandes quantidades de carne, contribuindo não apenas com os efeitos negativos sobre o clima e a biodiversidade, mas também sobre a nossa saúde, aumentando o risco de doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes e câncer do aparelho digestivo. Uma conta que , no final, será paga por todos nós. Pense nisso.

Heron José de Santana Gordilho é Professor Universitário, Promotor de Justiça do Meio Ambiente em Salvador (heron@mp.ba.gov.br).

About the Author

Follow me


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Gente ate quando o homem continuar vivendo em hiprocrisia, o fato de parar de consumir carne e consumir vegetais não vai dimunir o aquecimento global, pelo contrario pode ate piorar,se todo mundo libertar os rebanhos de consumo(bovinos, ouvinos, aves, suinos etc), na natureza, somando os animais silvestres, mais os animais de estimação, e por fim nos os animais homens que ja somos 7 bilhoes
    nesse planeta,chegaremos talves numa quantiade de 12 13 bilhoes de animais,onde estamos naturalmente poluindo o meio ambiente atraves das fezes, gases, urina, arrotos,Sem contar que teremos que desmatar para produção de vegetais para o nosso funcionamento, assim poluiremos cada vez mais o ar, os mares, rios, etc. E o mais interessante que natureza muitos animais que voceis tambem protege,
    tem como instinto cacar e comer carne de outros animais, e nenhum protetor fala que é errado, ha tambem plantas carnivoras que consomem carne de pequenos animais, e mais um vez ninguem as eliminas porque estão eliminandos os animais.
    Etendo que os animais são filhos da natureza tem sentimentos de dor, carinho, companherismo como o ser humano ate porque somos animais, mas as plantas tambem tem carinho com agente ajudando no meio ambiente eliminando os gases
    poluidores que todos os animais incluido o animal homem fazem nos seu espaço.
    Sem contar que nuitos defensores de animais tem carros, imoveis, movies,
    eletronicos e etc, que são frutos do desmatamento para a produção da
    materia prima, contribuindo de certa forma com a extinção dos mesmos animais que estão protegendo.
    Enquanto não tivemos um controle de natalidade de todas especies de aniamis, começando pelo o homem,e
    uma produção industrial mais sustentavel com menos danos a natureza, o aqueciemnto global vai continuar.
    Melhor dizendo, ou a gente para com hiprocrisia que esta na sociedade a milenios, ou a naturzapor si
    que é perfeita vai dar o fim deste mal, como deve ter ocorrido com os dinossauros, que viveram antes
    de nos e foram extintos em massa.
    Minha intenção não é atacar o proposito de voces, e apenas deixar uma reflexão de que estamos fazendo
    com a vida, fazendo uma analise as condições de sobrevivencia que a a natureza nos criou.
    Abraços.

    Descupe por algum erro na digitação, fiz uma correção mas pode ser
    que apareça algum.

    1. Haa sim, entao para que fazer alguma coisa, contina a se esconder atraz deste seu discurso Hipocrita, criticando os ativistas que tem computador e deveriam viver num mosteiro no Himalai enquanto vc fala que parar de comer carne nao muda nada e que o negocio e ter um mundo sustentavel.. como??? Vc vai comecar a criar gado, porco e galinha no seu quintalzinho?? Discurso assim nao ajuda em nada, solucoes e acoes! isso sim e oque faz a mudanca!

{"email":"Email address invalid","url":"Website address invalid","required":"Required field missing"}
>