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Perda de habitat causa diminuição do lagarto-de-água

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Foto: Adrian/DN Artes

Único e exclusivo da Península Ibérica, o lagarto-de-água está desaparecendo devido à perda de habitat, resultante do abate da vegetação ripícola  (vegetação típica dos cursos de água, como salgueiros, amieiros, freixos e fetos)  e a construção de barragens. As populações isoladas do sul de Portugal correm maior risco, mas há mais de 10 anos não se faz nenhum estudo.

Pouco preocupante. É esta a classificação no Livro Vermelho dos Vertebrados, que talvez explique o fato de, apesar da rápida diminuição de espécimes, o último estudo sobre o lagarto-de-água (Lacerta schreiberi) datar de mais de dez anos.

O pequeno lagarto de cabeça azul e tom verde vivo habita apenas locais com permanência de água, tornando-o vulnerável, especialmente quando em pequenos grupos populacionais isolados. No norte sua distribuição é mais homogênea, mas a população tem regredido. No sul existe em menor número, uma vez que “muitas ribeiras têm tendência a secar, logo não há água suficiente para a sua sobrevivência”, explica o biólogo José Brito.

No último estudo realizado, estimou-se uma população de 47 mil indivíduos na serra de Monchique, 115 mil em São Mamede e apenas 3,7 mil na serra do Cercal (distribuídas por três ribeiras). Todas são preocupantes, uma vez que populações abaixo dos 500 mil indivíduos são sinônimo de algum risco.

As principais ameaças à espécie estão ligadas aos fatores que perturbam as linhas de água onde os lagartos-de-água habitam: construção de barragens, “que arrasa e acaba por afundar as margens das ribeiras e rios”;  abate de vegetação ripícola e substituição por terrenos de pastoreio ou áreas florestais e as alterações climáticas. “Uma seca acentuada, que transforme as ribeiras em cursos de água temporários, poderá levar à extinção da espécie”, salienta o biólogo.

Todavia, até agora, “pouco foi feito para proteger a espécie”. José Brito participou de um exaustivo estudo sobre o lagarto-de-água, realizado entre 1994 e 1996, com o objetivo de assinalar as áreas prioritárias para a conservação. “Identificamos medidas de gestão que deveriam ser tomadas para proteger as populações isoladas, mas tanto quanto sei, nada foi posto em prática”, refere.

Um dos objetivos é voltar a analisar em breve estas populações e saber o que lhes aconteceu na última década. “A situação pode já ser preocupante no caso das populações da serra do Cercal, onde deveria ter existido um esforço de implementação suplementar das medidas sugeridas no estudo.”

Amante do sol, o lagarto-de-água não hesita em mergulhar na água quando ameaçado. Com uma esperança de vida de oito anos, este pequeno réptil, que pode atingir um máximo de 12 cm, excluindo a longa cauda, alimenta-se basicamente de insetos e aracnídeos, mas também inclui frutas e outros pequenos lagartos na dieta.

O Lacerta schreiberi tem ainda uma particularidade que o torna único. Na época da reprodução, entre a primavera e meados do verão, a cabeça dos machos ganha um tom azul muito forte. Quanto mais forte, maior o sucesso entre as fêmeas – e mais atrativo também aos olhos de quem aprecia a natureza. Uma razão a mais para redobrar os esforços e evitar que o lagarto-de-água tenha o mesmo destino de muitas outras espécies que hoje só fazem parte do nosso imaginário.


Fonte: DN Artes


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