• Home
  • Filhos: não fale do que eu não quero ouvir

Filhos: não fale do que eu não quero ouvir

16 comments

Por que certos assuntos revoltam tanto as pessoas?

Se dermos uma busca pela Internet, este reservatório de ideias, que mais parece uma conexão mental concreta, veremos o quanto é difícil encontrarmos assuntos polêmicos sendo discutidos de maneira lúcida.

O que vemos são reacionários, fanáticos ou a mesmice de sempre, os cremes de beleza, os benefícios do chá, as dietas para emagrecer e a moda do momento.

As cópias descaradas e a repetição de assuntos na internet nos mostram uma pista, mas não o todo da questão: as pessoas não querem refletir, não querem colocar suas vidas na berlinda do pensamento. O que procuramos é sempre algo que nos alivie. Qualquer um que nos venha falar de assuntos diferentes, será ignorado ou criticado passionalmente.

Quando alguns escritores na história tentam nos falar sobre o bestialismo, por exemplo, as reações são sempre as mesmas. Muito incômodo e negação dos fatos.

Há centenas de filmes pornográficos envolvendo animais no Brasil e mundo, há diversas pessoas que praticam sexo com animais e nem se dão ao trabalho de esconder. Mas este tema, assim como muitos outros, é ignorado de forma enfática. Ninguém quer fazer nada, ninguém quer admitir não poder olhar para esta questão.

A questão de ter ou não ter filhos é algo jamais questionado pela maioria das pessoas.

Quando uma mulher admite publicamente que não terá filhos, e o faz com muita naturalidade, os comentários são sempre no sentido de menosprezar sua lucidez, dizendo que tal mulher não sabe o que está dizendo. “você nunca foi mãe e não pode saber como será”.

“Você irá mudar de ideia com o tempo e irá se arrepender.”

Interessante que para estes comentários há algumas perguntas:

Será que para eu escrever e pensar sobre a morte eu preciso morrer, pois “só então poderei saber como é morrer”?

Será que os psicólogos e psiquiatras precisam experimentar as loucuras humanas ou serem perturbados para então poder falar sobre a loucura ou ajudar pessoas com perturbações mentais?

Será então que só poderei saber o que é ser mãe se eu estiver grávida?

Logicamente não. Basta eu ser mulher e está provado que todas as fêmeas do planeta possuem instinto materno, em menor ou maior grau. Basta eu investir meu instinto materno em coisas que eu considere, como adotar crianças e animais. Coisa que poucas mulheres realmente se atrevem a fazer!

Então não me venham com chantagens idiotas e mesquinhas, por favor!

Será que se eu tiver filhos eu também não corro o risco de me arrepender, e de uma maneira mais grave, pois a criança já está ali e não tem nada a ver com o meu egoísmo naquele momento de querer ter filhos?

Será que uma mulher e um homem que não querem ter filhos têm algo de errado com sua família?

A resposta para essa pergunta é que, se as pessoas que têm filhos não tivessem nenhuma frustração em sua vida, o mundo estaria às mil maravilhas e não veríamos tanta gente depressiva por aí. Porque a maioria das pessoas têm filhos e essa mesma maioria têm inúmeros problemas familiares.

Frustrações e decepções fazem parte da vida de todas as pessoas, as que têm filhos e as que não têm.

O texto do jornalista e escritor Marcio de Almeida Bueno incomodou muito nestes últimos dias, pois ele aborda um assunto muito pertinente: a fixação doentia por ter filhos e o desequilíbrio de recursos do planeta, que está a cada dia maior.

A população humana já passa dos 6 bilhões de habitantes e os países mais desenvolvidos há muito tempo começaram a usar o bom senso, a razão e não apenas o estômago e os órgãos genitais. Estão repensando a obrigação de ter filhos e as pessoas que desejam ter filhos estão tendo um ou dois filhos por casal.

Claro que no Brasil não se pode discutir estas questões, sem a beatificação do ato.

Ele apenas demonstrou, de maneira lúcida e poética, que ter filhos no geral é algo baseado no egoísmo.

Não falou de casos isolados, nem das exceções, que existem – de pessoas que planejam ter filhos de forma organizada e coerente com sua situação financeira e psíquica.

A grande maioria das pessoas – e isto é fato, é só olhar para o lado – tem os filhos sem nunca pensar se realmente estão preparadas mentalmente, se realmente terão condições financeiras, ou se o país onde vivem as acolherá.

Pois é fato que nascer em determinados países é muito cruel. Muitas crianças nascem sem futuro algum, com nenhuma estimativa de emprego digno ou a famosa “educação”, que muitos gritam por aí como solução para tudo.

Educação aqui em nosso país a maioria tem. Mas nem por isso a corrupção e a mediocridade diminuem.

Aparentemente elas crescem a cada dia, e os motivos não estão só na escola. Estão na família também.

Hoje, fazer faculdade é algo muito comum. Mas nem por isso a competência aumentou. E por aí pode-se ter uma ideia do que é eleger a educação como algo milagroso. E continuar jogando no mundo milhares de pessoas, muitas que nasceram por acaso, sem mesmo amor e planejamento dos pais.

Vocês que se ofendem tanto com quem não deseja ter filhos, deveriam se ofender mais ainda com aqueles que os têm (e pode ser o seu caso), mas os têm de forma egoísta, como um brinquedinho de adulto.

Aqueles que não levam as crianças a sério, que menosprezam seus sentimentos e que somente pensam no “prazer de ser mãe”. Como um dia ouvi de alguém: “terei um filho apenas pela experiência de ser mãe”.

A estas pessoas é que vocês, pais exemplares, deveriam criticar e com toda a razão. A criança não é um objeto, assim como os animais não o são. Mas, na cabeça de muitos, faz parte do joguinho social ter o cão e o filho. Pode-se desfazer-se do cão. Do filho, apenas lá no íntimo. Não publicamente.

Por essa razão é que muitos se ofendem de maneira excessiva, mal leem o texto até o fim, já acham que o assunto é consigo. Esses temas mexem muito com coisas internas de cada um. Mas, caso queiram alguma melhora para o mundo realmente e para seus próprios rebentos, está na hora de ler apenas, sem levar as coisas para o lado pessoal.

O excesso de pessoas causa, sim, um desgaste de recursos naturais. Isto já está sendo estudado há algumas décadas. Já está acontecendo também.

E é egoísmo sim. O clássico egoísmo humano de achar que tudo o que existe foi feito para si e para sua querida família. O resto que se dane! Lá no íntimo da mente humana há este pensamento e é apenas por esse pensamento, e talvez pelo orgulho, que a humanidade está acabando consigo mesma.

(É de conhecimento da Biologia que, quando começa a superpopulação numa espécie, ela tende a entrar em extinção no momento seguinte. Fenômeno que ocorre de bactérias ao ser humano.)

About the Author

Follow me


Deixe uma resposta para monica Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. concordo plenamente com a matéria, ass pessoas fazem filhos pq acham lindo por crianças no mundo pra sofrer, passar fome, etc, elas acham que tem que ter filhos,quem nao tem nao é normal,e qto mais pobre mais filho tem, é isso

  2. não pretendo ter filhos, mas sim adotar um! tem tantas crianças abandonadas por ai…e um monte de gente já falou assim “ah! mais adotar não é a mesma coisa de ter um filho” acho isso uma besteira pois com certeza vou amar ele ou ela do mesmo jeito!

  3. Entendo o que você diz, pois sou professora de escola pública e lhe dou com essas realidades todos os dias.
    Muitas das crianças que estão ali, são meio que jogadas ali, não digo como um depósito, mas desprovidas de carinho familiar e de atenção. Também já trabalhei em escolas particulares e vi a mesma situação ou até pior, porque eles tem todo tipos de brinquedos, roupas etc, mas totalmente desprovidas de carinho materno ou familiar. Não vou generalizar porque não são todas,mas existe uma grande maioria carente desse âmbito familiar. Às vezes, acredito que o Governo também tem sua parcela de culpa, neste descontrole familiar, devido a esses projetos desenfreados.
    Parabéns pela matéria!!!

  4. Os humanos estão vivendo mais sim, mas é o excesso de nascimentos que põe em risco a Natureza. É só ver a catástrofe na África, em que milhões de seres humanos tira espaço vital dos animais, animais que têm direito ao espaço, terra, água, vegetação. São no mínimo seres humanos que nem deveriam ter nascido, assim como os milhões de humanos na Ásia e América Latina.
    Qualquer governante espera conseguir votos lançando leis beneficiando crianças e gestantes, é só ver no Brasil. É claro que nada vai mudar dessa forma.
    Deveriam beneficiar os que optam por não ter filhos, ou um ou dois apenas!

  5. Eu não quero ter filhos, e quando digo isso, as pessoas arregalam os olhos como se estivesse falando um absurdo muito grande.
    Também vejo como egoísmo, e tanto é verdade, que muitas pessoas me perguntam: “mas se você não tiver filhos, quem vai cuidar de você quando ficar velha?”. Como se filhos existissem apenas para cuidar de seus pais na velhice. E como se fizessem isso…

  6. Ter filhos é simplesmente um acontecimento, nem bom nem ruim. Depende do sentimento dos pais.
    Pais autocentrados realmente não devem ter filhos. Esses vão passar para frente o egoísmo e a arrogância.
    Pais e mães sensíveis ao sofrimento das pessoas e dos animais, esses deveriam ter filhos, eu diria até que povoar a terra….. Pois é a educação da nova geração que vai mudar a maneira como as pessoas se relacionam com as outras, com os animais e com o planeta.
    Educar uma criança com esses valores é uma vivência indescritível. É segurar o futuro nos braços, é ter esperança enquanto o bebê me suga o seio.
    Isso mexe com questões internas das pessoas sim, pelo que percebo dos comentários. Talvez mexa também com os conflitos da autora. Quem não deseja filhos, afinal? Você ou seu marido? Abrir mão de ser mãe é um preço alto. Que seja uma escolha feita com o seu coração.
    Grande abraço pra você, Ellen.

  7. Não pretendo ter filhos e disse isso no outro texto. Passo pelo que a autora falou, de ser tratada como um ser estranho. Sim, concordo e muito com a adoção de crianças, mesmo que eu não o faça, acho muito digno da parte de quem tem esse desejo. Eu prefiro ajudar as instituições que cuidam tanto de crianças como de animais. O que não podemos é negar às pessoas que desejam ter filhos esse direito. No meu ponto de vista, uma boa educação e planejamento familiar devem ser implantados seriamente, principalmente com a população carente que não tem nem noções básicas de cuidados no sexo, tenho certeza que daria um bom resultado. Não há como conter as pessoas que não tem bom senso, que vivem de leviandades, será necessário um bom tempo e esforço para mudar a mentalidade das pessoas em relação a esses tempos de destruição, mas não podemos generalizar e chamar de egoístas a todos!!! Fui eu quem começou toda discordância do texto do outro autor e continuo discordando. Diferentemente desta autora que exige o respeito pelo desejo de não ter filhos, o outro ataca ofensivamente as pessoas. Nós sabemos que existem pessoas egoístas, pessoas que abadonam crianças, pessoas que têm filhos irresponsalvelmente… Mas daí a chamar todos os que tem ou querem ter filhos de egoísta é outra história!

  8. “Pais e mães sensíveis ao sofrimento das pessoas e dos animais, esses deveriam ter filhos, eu diria até que povoar a terra….” Adoreiiii Denise. Penso a mesma coisa que vc. Tenho filhos, sou vegetariana, amo os animais, tenho compaixão de seres que sofrem (humanos e não-humanos) e sei que vou deixar um legado de amor para minhas filhas passarem isso pra frente. Pessoas boas e inteligentes têm de passar seus bons genes adiante, mas também podem adotar crianças carentes e passar seus ideais a elas. Há muitos modos! Muita paz a todos!

  9. Denise,
    “Abrir mão de ser mãe é um preço alto”. Por quê? E o que dizer daquelas mulheres que não podem ter filhos? Elas não ‘abriram mão’ de ter filhos, apenas a natureza não permitiu que isso acontecesse.
    E para se educar uma criança, não é necessário gerá-la.

  10. Claro, Raquel, concordo com você. Falei em ser mãe, e não em gerar uma criança. Conheço mulheres que optaram por não ter filhos e colocam sua critividade em outras áreas de suas vidas. Acho muito bom também, quando é uma decisão feita com o sentimento, e não com a cabeça. A minha discordância é sobre se filhos atrapalham ou ajudam a evolução do planeta e a construção de um ambiente de respeito com os animais. Tê-los pode ajudar ou atrapalhar, a depender dos pais. E daqui 50 anos, quando nós estivermos mortos (ou quase) são eles que estarão aqui. É melhor tentar formar as crianças com esses valores ou deixar ao acaso, para que quando adultos eles se conscientizem ou não?
    Grande abraço

  11. Assim como já há a necessidade de castrar os animais domésticos para evitar o sofrimento do abandono, da mesma forma o ser humano precisa entender a necessidade de se conceber filhos com racionalidade para evitar o caos da humanidade, como já vem acontecendo, principalmente nos redutos carentes de tudo: educação, saúde, e recursos financeiros. É uma questão vital para a boa qualidade de vida de todos que habitam este planeta.

  12. Essa questão é bem polêmica. Não envolve só a questão social mas também uma questão psicologica. Casar, ter filhos, ter namorado, estar do lado A e não do B e outras coisitas mas são coisas digamos que impostas pela sociedade. Acha-se que há um padrão e todos que fogem a ele são criticados. Todos ficam chocados. E nos paises em desenvolvimento isso é mais agravante devido a falta de dissernimento. Você acha que uma pessoa que não tem estudo está preocupada com a escassez de recursos do planeta? hã? Claro que existe a irresponsabilidade em todas as classes sociais. Mas com certeza a estatística é maior nos países onde as pessoas possuem um nivel de instrução inferior. Realmente para mudar é preciso que as pessoas estejam com a mente aberta para derrubar o mito de que o certo é estar casado e não solteiro, o certo é ter filho, o certo é estar do lado A e tb que haja respeito. Pois a pessoa que decide não ter um filho tem o mesmo direito que a pessoa q escolhe ter um filho. Tb concordo q a escolha deve ser feita com responsabilidade. Dessa forma nem a pessoa q quer ter precisa convencer ninguém de que isso é certo ou errado e nem a pessoa que não quer ter.
    Quando vc diz, não quero ter filho e possui toda uma consciência social justificando isso. Ótimo! Mas tb não pode querer convencer o mundo de que sua escolha é a certa e deve ser a escolhida. Cada um tem sua liberdade de escolha.
    Resumindo: Educação é o ponto chave sim!

  13. Legal tudo isso… tbm penso em não ter filhos, mais na verdade não tenho uma explicação concreta. Ninguém de fato assume que depois de ter um filho, se arrependeu e que se podesse voltaria atrás… Será que isso aconteçe? Alguém responde?

{"email":"Email address invalid","url":"Website address invalid","required":"Required field missing"}
>