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Animais chegaram a Madagascar em ‘jangadas improvisadas’, conclui estudo

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Cena do desenho Madagascar, de 2005. Detalhe importante: não há grandes mamíferos nativos da ilha, como girafas e leões. A população original é de pequenos mamíferos, como os lêmures. (Foto: The Picture Desk / Dreamworks Pictures / The Kobal Collection)
Cena do desenho Madagascar, de 2005. Detalhe importante: não há grandes mamíferos nativos da ilha, como girafas e leões. A população original é de pequenos mamíferos, como os lêmures. (Foto: The Picture Desk / Dreamworks Pictures / The Kobal Collection)

De que jeito os lêmures chegaram à Ilha de Madagascar em algum momento há 65 milhões de anos? Uma dupla de cientistas afirma que suas pesquisas confirmam a ideia de que os animais alcançaram a grande ilha, considerada um minicontinente, em “jangadas naturais”. Desde 1915, pelo menos, especialistas elegeram essa explicação como uma alternativa à hipótese de que o acesso a Madagascar tenha ocorrido por uma “supervia” de terra, posteriormente alagada com a elevação do nível do mar.

Tahina, um filhote de lêmure (Propithecus coronatus) em incubadora do Zoológico de Besancon, na França. 'Tahina' significa 'Que precisa de proteção' em malgaxe, o principal idioma falado em Madagascar. (Foto: Jeff Pachoud/AFP 20-01-2009)
Tahina, um filhote de lêmure (Propithecus coronatus) em incubadora do Zoológico de Besancon, na França. 'Tahina' significa 'Que precisa de proteção' em malgaxe, o principal idioma falado em Madagascar. (Foto: Jeff Pachoud/AFP 20-01-2009)

 

Matthew Huber, paleoclimatologista da Universidade Purdue, e Jason Ali, especialista em placas tectônicas e oceanofragia da Universidade de Hong Kong, afirmam que o fluxo predominante de correntes oceânicas entre a África e Madagascar milhões de anos atrás tornava a jornada não só possível, como também muito rápida (o que evitava que os passageiros morressem de sede). A conclusão baseia-se em três anos de simulações de computador das antigas correntes oceânicas. A direção das correntes atuais, e dos ventos também, joga para sul e sudoeste, então o serviço de balsa África-Madagascar não rola mais há um bom tempo.

Claro que os bichos não planejavam a viagem. Foram lançados ao mar durante grandes tempestades causadas por ciclones tropicais, e surfavam árvores ou grandes coberturas de vegetação arrancadas pela força dos ventos. É possível que tenham sido pegos de surpresa durante períodos de hibernação ou torpor sazonal. Tendo desembarcado na 4ª maior ilha do mundo, os bichos migrantes teriam evoluído para as formas distintas, e algumas vezes bizarras, conhecidas hoje.

Madagascar – ilha no Oceano Índico cerca de 480 quilômetros a leste da África, da qual é separada pelo Canal de Moçambique – é considerada pela ciência como um laboratório vivo para o estudo da evolução e do impacto da geografia no processo evolucionário. Tem mais espécies únicas do que qualquer outro lugar do planeta, com exceção da Austrália, 13 vezes maior. Por exemplo, há 70 tipos diferentes de lêmure que só vivem ali. Cerca de 90% dos demais mamíferos, anfíbios e répteis são exclusividade de Madagascar.

George Gaylord Simpson  (1918-1984), um dos mais influentes paleontologistas e teóricos da evolução, usou métodos estatísticos para especular sobre a migração intercontinental dos mamíferos. “O que nós realmente fizemos foi provar a plausibilidade física do argumento de Simpson”, disse Huber.

O paleontólogo George Gaylord Simpson no Museu Nacional de História Natural dos EUA (Foto: American Philosophical Society Digital Library)
O paleontólogo George Gaylord Simpson no Museu Nacional de História Natural dos EUA (Foto: American Philosophical Society Digital Library)

 Um artigo descrevendo a pesquisa saiu na revista Nature.

* Com informações sobre o estudo sistematizadas por Greg Kline, da Universidade de Purdue

Fonte: G1

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