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Nas selvas de Pandora

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Eu sou fã de James Cameron desde Piranhas 2. Isso mesmo, o cineasta canadense começou sua carreira em 1981, dirigindo um filme trash onde militares desumanos cruzam piranhas com peixes-voadores para serem usadas como armas de guerra.

Muita água passou debaixo da ponte desde então. Cameron ganhou o mundo com a série Exterminador do Futuro, deu um show com a sequência do filme Alien, o Oitavo Passageiro, mostrou que sabia fazer comédia com True Lies e ultrapassou qualquer limite com o imenso sucesso de Titanic.

Com Titanic, James Cameron se apaixonou pelo fundo do mar, suas visões e suas criaturas. E agora assombra o mundo mais uma vez com o espetáculo em 3 dimensões de Avatar. O filme já faz parte da história do cinema, por causa de seus inacreditáveis aspectos técnicos. Tem sido também uma unanimidade entre o público e entre os críticos que podem ser levados a sério.

Muito resumida, a história conta o ataque de um força empresarial/militar terrestre contra o planeta Pandora. Para adquirir um metal raro, é preciso exterminar os nativos e destruir a floresta. Ou seja, não é nada original. (Eu pessoalmente não gostei do seu maniqueísmo. Não acho que todo selvagem seja bom, nem que todo empresário seja um monstro insensível e nem que todo militar um criminoso biocida). Aprendi com o tempo que a realidade é bem mais complexa que esses clichês.

Mas Avatar vai muito além disso. Cameron cria um planeta como a Terra provavelmente já foi, antes de sentir o peso da brutalidade humana. O filme é a mais tocante oração à biodiversidade que eu já vi. O planeta Pandora pulsa de vida nos menores detalhes, com suas plantas que brilham ao toque, suas árvores descomunais e seus animais fantásticos e ultracoloridos que são as verdadeiras estrelas desse filme.

James Cameron faz com Pandora, é claro, uma analogia com a nossa própria Terra. A diferença é que aqui não precisamos de alienígenas gananciosos para o serviço sujo de destruição. Nós mesmos damos conta do recado.

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  1. Dagomir, fiquei boba quando soube que o roteirista começou a escrever a história em 1995, mas achou que os recursos para fazer o filme, exatamente como ele queria e agora ficou, ainda não eram suficientes. Há quatro anos ele resolveu resgatar o primeiro roteiro e dar continuidade. Engraçado como é atual e nos leva de maneira lúdica aos problemas ambientais e éticos que vivemos.

  2. Dagomir este filme é um bom filme para se pensar as questões ambientais o “Povo do céu” Humanos-desumanos, traz para o centro o povo da “Terra”, mostra que a natureza só que continuar a ter direito de permanecer aí intacta e nos fornecendo todo o oxigênio.Então o que se faz? Destruir ou Preservar. Repensar as questões éticas e colocar em pauta o meio ambiente. Boa matéria. Parabéns!A outro lado de Pandora(A do mito) e a sua caixa e os males que solta são os males da tecnologia.

  3. Dagomir, há muito não lia um artigo tão claro, objetivo e, ao mesmo tempo , com tamnha sensibilidade! Reforça que , para se dizer o que pensa de forma racional não é necessa´rio ser bruto, para se registrar os pensamentos não é preciso ser cruel e, acima de tudo, para contribuir com o progresso da humanidade não é necessário ser desumano. Obrigada! É muito bom ler artigos escritos com inteligencia e afeto.

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