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Saiba mais sobre o pica-pau, o carpinteiro da mata

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Pica-Pau de Banda Branca. (Imagem: Rudimar Narciso Cipriani/EPTV)
Pica-Pau de Banda Branca. (Imagem: Rudimar Narciso Cipriani/EPTV)

Quem não se lembra do desenho animado do pica-pau? Difícil encontrar alguém que já não tenha rido muito com esse personagem, criado por Walter Lanz na década de 1940.

O desenho divertido, porém, mostrava muito pouco do comportamento da ave, ou quase nada. E o pica-pau de verdade, ou melhor, as cerca de 180 espécies de aves que chamamos por esse nome têm muitas capacidades e habilidades dignas de serem notadas, exibindo comportamentos naturais bastante curiosos.

O nome popular pica-pau cai como uma luva a todas essas aves. Sua principal ferramenta para sobreviver é o bico extremamente resistente, usado para martelar e picar a madeira do tronco das árvores à procura de insetos.

Dotados de músculos fortes no pescoço, os pica-paus têm até uma proteção no cérebro, para suportarem a trepidação. Sem isso não aguentariam bater com o bico na madeira mais de 100 vezes por minuto, sem ficarem zonzos.

Os ossos entre o bico e o crânio não são contínuos e sim ligados por um tecido esponjoso, capaz de absorver os impactos e, assim, evitar danos cerebrais. A audição muito sensível é utilizada para detectar o ruído de insetos escondidos sob a madeira.

Outra estratégia é utilizar o bico como uma sonda: o som das batidas revela se o ramo ou tronco são ocos e, assim, a provável localização dos insetos. Uma vez aberta uma fenda no tronco ou ramo, os pica-paus utilizam a língua – que pode ser até cinco vezes mais comprida que o bico – para alcançar o alimento no interior da árvore, sejam larvas ou ovos de insetos.

Ao se alimentar, cada pica-pau presta um serviço importante para a floresta ou para cada árvore em particular, ajudando no controle de parasitas.

Imagem: EPTV
Imagem: EPTV

Análises de conteúdo estomacal contaram até 2.093 formigas em um pica-pau-do-campo (Colaptes campestris) e 1.489 cupins de um pica-pau- de-cabeça-amarela (Celeus flavescens), segundo Helmut Sick, no livro Ornitologia Brasileira.

E esse não é o único serviço prestado pelos pica-paus e seus poderosos bicos. Sua ferramenta fantástica é também usada na construção do ninho.

O casal trabalha em conjunto nessa tarefa. As árvores são escolhidas entre as já mortas, as que tenham resistido a queimadas ou à queda de raios.

E, se o joão-de-barro (Furnarius rufus) pode ser chamado de pedreiro da floresta, o pica-pau é o carpinteiro da mata. Constrói ‘casas’ de madeira não só para si, mas para diversas outras espécies de aves, que se beneficiam das cavidades abandonadas pelos construtores.

Chegam a existir conflitos na disputa por esses abrigos privilegiados. Muitas vezes, espécies como o anambé-branco (Tityra cayana), enchem o ninho do pica-pau com folhas, que são retiradas pelo legítimo proprietário.

Mas o anambé não desiste e vence pela insistência, obrigando o pica-pau a fazer seu ninho em outro lugar. O mais comum, no entanto, é encontrar ninhos abandonados pelos pica-paus sendo utilizados por periquitos, andorinhas, araçaris e outras espécies que não têm a capacidade de cavar troncos.

Imagem: EPTV
Imagem: EPTV

Para executar seu ‘serviço’ no capricho, a maioria dos pica-paus se vale de outra capacidade incomum entre as demais famílias de aves: a de escalar troncos. Graças às patas também muito fortes e com dois dedos para frente e dois para trás, conseguem se agarrar às árvores, mesmo na vertical, fazendo a cauda funcionar como uma alavanca de apoio.

Os pica-paus não se destacam pelo canto, sem harmonia. Soltam seus chamados altos, como gritos. Mas compensam na percussão, ao bater com o bico nos troncos secos, tamborilando em ritmos variados. O ruído produzido é uma forma do indivíduo anunciar o seu território.

Uma das menores espécies brasileiras é o pica-pau-anão-barrado (Picummus cirratus): mede apenas 10 centímetros e pesa pouco mais de 11 gramas. O maior representante da família, no Brasil, é o pica-pau-rei (Campephilus robustus), que tem 36 cm e pesa 200 gramas. Pequenos ou grandes, os pica-paus são mais um exemplo do mundo das aves a nos mostrar que a cooperação entre espécies é mais do que uma lei. É um princípio da natureza.

Os pica-paus de verdade não dão gargalhadas e não nos fazem rir como o do desenho animado. Neles não vamos perceber comportamentos humanos e sim reconhecer mais uma parte da perfeição maior, chamada vida.

Fonte: EPTV

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