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Inteligência e emoções nos animais: musicoterapia

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Embora limitado à fisiologia e anatomia de cada ser, todo integrante vivo em nosso meio ambiente possui uma energia vital que promove sua existência.

Neste sentido, um animal, seja ele cão, gato, tigre ou outro, está limitado às formas impostas de acordo com sua constituição física, para demonstrar suas emoções. Para tal, utiliza-se dos recursos que dispõe, seja o ronronar, o abanar da cauda, etc…

Sabemos muito pouco utilizar, como humanos, nosso cérebro. Ou seja, grande parte dele ainda é por nós pouco explorada.

A mídia, a cultura, os dogmas e paradigmas convencionais, normalmente nos norteiam como pensar, agir, aceitar e conceber a nós mesmos…

Além disto, dentro destas potencialidades pouco exploradas de nosso cérebro existem aquelas que são mitificadas como algo sobrenatural, voltado ao cunho religioso, como no caso das percepções e percepções extra sensoriais.

Se pouco utilizamos e conhecemos nosso cérebro, e portanto assim inferindo que este parco pensar nos norteia, como negar que os animais não possuam emoções e inteligência, se pouco somos estimulados por todas as formas de comunicação comuns a pesquisar à este respeito?

Pouco sabemos sobre nós mesmos, e aumentar este conhecimento sobre nós e tudo que nos cerca, envolve termos que desmistificar uma série de conceitos impostos em nós, pela sociedade, seja motivado pelo controle ou falta de conhecimento profundo sobre a vida.

Portanto, para aceitá-los, devemos preparar nosso território interno.

Antes disto, discordar do que não sabemos seria demonstrarmos como qualidade “negativa” uma atitude arrogantemente pretensiosa, (que na verdade seria ignorância) seja em que âmbito da questão fôr.

Alma, espírito, energia vital, não importa. O que importa é que temos uma força sutil que nos mantém vivos, nós e todos os outros seres viventes na natureza em que co-habitamos, e que é capaz de alterar inclusive nosso DNA, como já discorrido por exemplo, no artigo sobre DNA e emoções de Gregg Braden.

Esta força ainda é um mistério, mas sua potência é capaz de profundas modificações dentro de cada ser…

Por outro lado, como que para enxergarmos a luz, deva existir a sombra, existem pessoas dedicadas a entender estes mistérios pouco discutidos, na tentativa gradualmente bem sucedida de abrir uma porta em nossa janela cerebral, ou simbolicamente nossa alma, para que possamos crescer e compreender muito mais do universo e nós mesmos.

Assim foi Edward Bach e seus florais, Hahnemann e a homeopatia, Mikao Usui e o reiki, a medicina tradicional chinesa e seus princípios taoístas, Vivaldi, Mozart, Beethoven, com suas músicas de propriedades catárticas da alma, e muitos outros…

Dentro destas variantes terapêuticas, nos Florais de Bach, o campo magnético da flor, dotado de virtudes, contagia o campo magnético do ser humano/animal que absorve somente as vibrações que necessita, transformando pensamentos, emoções e sentimentos negativos em positivos.

No caso da musicoterapia, ela “permite o desenvolvimento de um processo terapêutico, mobilizando reações biopsicossociais no indivíduo com o propósito de minimizar seus problemas específicos e facilitar sua integração/reintegração no ambiente social normal”. Barcellos (apud BRUSCIA, 2000, p. 274)  “A idéia de que a música afeta a saúde e o bem-estar das pessoas já era conhecida por Aristóteles e Platão. Somente na segunda metade do século 20, porém, os médicos conseguiram estabelecer uma relação entre a música e a recuperação de seus pacientes”.

No final da Segunda Guerra Mundial, músicos foram chamados para tocar em hospitais como forma de auxiliar o tratamento dos feridos. Como a experiência surtiu resultados positivos, as autoridades médicas dos Estados Unidos decidiram habilitar profissionais para utilizar criteriosamente a música como terapia. O primeiro curso de musicoterapia foi criado em 1944, na Universidade Estadual de Michigan”.

Segundo Alexandre Rossi, formado pela Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP, em seu livro Adestramento Inteligente, os “cães são animais inteligentes que possuem habilidade de resolver problemas mentalmente, podendo analisar situações e imaginar meios de manipulá-las ou controlá-las”. “Infelizmente, grande parte das pessoas acredita que os cães reagem a estímulos externos como se fossem robôs, e os tratam de acordo com essa idéia. Essas pessoas são facilmente manipuladas pelos próprios cães, pois não desenvolvem a capacidade de imaginar o que seu animal pode estar pensando”.

“Poucas são as espécies que variam tanto em forma, tamanho e aptidões como a dos cães. Devido a essa grande diversidade, torna-se difícil a comparação dos órgãos sensoriais entre cães e humanos. Uma comparação mais detalhada deve levar em conta cada raça, já que existem grandes diferenças entre elas”.

Pegando o gancho da música, aliado às emoções e inteligência animal, cheguei a alguns estudos sobre a musicoterapia em animais, dentre eles uma monografia de Érik Y. Takabatake, para graduação do curso de Musicoterapia, a qual cito alguns trechos abaixo.

A doença física causada por uma emoção não responde de imediato a antibióticos ou a drogas químicas e também resiste a outras formas de cura do nível físico. Isso acontece porque o mal é um sintoma e não a doença em si” (STEIN, 1998, p. 250).

Diana Stein (1998, p.249 – A cura natural para cães e gatos) afirma que um animal com uma doença física poderá apresentar sintomas mentais e emocionais.

Coloca que, “quando a doença é curada nos aspectos físicos, mas não no aspecto mental-emocional, ela poderá reaparecer ou transformar-se em outra doença”. Se um animal que tem uma boa saúde física ficar estressado, raivoso, depressivo ou traumatizado, as emoções podem fluir pelo corpo e se transformar em uma doença física. […] os sentimentos emocionais são os fatores principais na produção tanto da doença quanto do bem-estar […]”.

R.Moraillon (2006 – Enciclopédia do cão) afirma que: “Os estudos sobre as doenças animais mostram que algumas delas são muito semelhantes às doenças humanas tanto pelos seus sintomas quanto pelas suas causas.”

Até aqui já podemos constatar que não só os animais possuem emoções como inteligência superior ao nosso parco entendimento, guiado pelo que nos é apresentado através de nossa cultura seletiva.

De acordo com Swenson e Reece (1996 – Fisiologia dos animais domésticos), todos os animais domésticos são capazes de ouvir os sons do meio ambiente, independente de cada sistema auditivo, seja de mamíferos, de aves etc. Nos mamíferos a audição é conhecida como a mais desenvolvida dentre a dos vários animais, percebendo uma ampla faixa de freqüências sonoras compreendidas por aproximadamente 10 oitavas. De modo geral, esta audição consiste em perceber através de sensores auditivos a informação acústica do ambiente e transformar em impulsos nervosos que são transmitidos para o Sistema Nervoso Central, onde será decodificado. ³

Segundo Beaver (2001 – Comportamento Canino, Um guia para veterinários) – nos cães, a capacidade de distinguir os timbres depende da freqüência e da intensidade. A variação auditiva está entre 200Hz a 15000Hz para se ter uma máxima ou melhor audição, comparando com o homem que está entre 1000Hz e 4000Hz.

Agora sim, unindo conhecimento com a música em sua forma terapêutica:

Para a Federação Mundial de Musicoterapia, (“World Federation of Music Therapy” – BRUSCIA, 2000, p. 286 – Definindo Musicoterapia):

“Musicoterapia é a utilização da música e/ou dos elementos musicais (som, ritmo, melodia e harmonia) pelo musicoterapeuta e pelo cliente ou grupo, em um processo estruturado para facilitar e promover a comunicação, o relacionamento, a aprendizagem, a mobilização, a expressão e a organização (física, emocional, mental, social e cognitiva) para desenvolver potenciais e desenvolver e recuperar funções de indivíduo de forma que ele possa alcançar melhor integração intra e interpessoal e conseqüentemente uma melhor qualidade de vida”.

Woodford também relata o caso de um filhote de Golden Retriever que entrou em coma depois de uma séria operação e não tinha expectativa de vida.
Tocaram então, o CD “Baby-Go-To-Sleep” com a esperança de que isso poderia ajudar. No terceiro dia, o filhote tinha acordado.

Originalmente conhecido como o CD “Baby-Go-To-Sleep”, tem nos arranjos da música o ritmo dos batimentos cardíacos real dos humanos como princípio básico do relaxamento. Essas músicas foram chamadas por Woodford de “Canine Lullabies”.

Segundo Camu (2006 – Beautiful music can relax animals), a tendência dos animais de absorverem o estresse emocional e as doenças dos humanos com quem convivem, os distúrbios mentais e emocionais trazidos pela dor, solidão, abandono, abuso ou traumas, podem ser aliviados ou eliminados tocando-se músicas.

Para David Reinecker (Music for dogs), a música clássica tem sido usada para aliviar o estresse e melhorar o bem estar. Verifica-se que a música clássica traz benefícios de cura para os cães. Eles passam mais tempo em estado relaxado quando expostos à música clássica, descansam mais, latem menos, e ficam mais calmos quando chegam visitas.

Como se pode perceber, existem inúmeros estudos e pesquisas voltados para as percepções mais sutis dos organismos vitais.

Concluindo, podemos sim, agora com mais profundidade no assunto avaliar positivamente que a música e todas as variantes que trabalham com esta energia vital emotiva dos seres viventes, são capazes de colaborar para o bem estar e saúde de todos nós.

Abaixo segue algumas citações de musicas e as fontes de referência, base a qual pôde nortear grande parte desta composição dissertativa, constando em seu conteúdo o estudo de caso em cães com depressão, bem como todas as referências bibliográficas pertinentes e valiosas para aprofundamento.

Tipos Musicais

Influências tonificantes:

Grande marcha da Tannhauser de R. Wagner; Overture de Rienzi de R. Wagner; Abertura do concerto n° 1 de Tchaikovsky; Sinfonia n° 5 de Dvorak; Judeus, extraído da Morte e Vida de Gounod; ato n° V da ópera Fausto de Gounod; Minueto de Boccherini; Aida de Verdi, entre outras.

Influências exaltantes:Daphnis et Cloé de Ravel; In Paradisum, final do Requiem op. 48 de Fauré; Lês Creatures de Prométhée de Beethoven; Serenata de Toselli; Adágio em sol m de Albioni.

Influências relaxantes:Lago dos Cisnes de Tchaikowsky; Largo extraído da Xerxes de Haendel; Serenata de Schubert; Hino ao Sol de Rimski-Korsakov; Sonho de Amor de Lizt; Liebeslied de Krasiler; Fantasia e Fuga em sol m de Bach.

Influências apaziguadoras:

Canto Indu de Rimski-Korsakov; o Cisne de Saint-Saens; Cavaleria Rusticana de Mascagni; Ave Maria de Schubert; Requiem de Fauré; Reverie de Schubert; Ária da 3a suite de Bach.

Estes são alguns exemplos de música com funções determinadas. Outras podem ser acrescentadas, e usadas mediante o gosto de cada um. everíamos tomar mais tempo para estudar a boa música antes de cairmos doentes. (Revista Mocidade No. 244 – Ano XX – No. 4 – Casa Publicadora Brasileira -S. Paulo- Abril de 1978)

Safih Querbért

Fonte: Veterinários no Divã 

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