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O papel das entidades de defesa dos Direitos Animais: uma crítica ao imediatismo

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Muitas vezes ouvimos, em anos de militância pelos Direitos Animais, a incômoda frase: “odeio seres humanos, por isso trabalho somente com os animais”. Longe de criticar iniciativas individuais de amparo aos animais abandonados, pois a compaixão é um valor que nos impulsiona, essa frase pode iniciar nossa reflexão sobre o papel das entidades de defesa dos animais, na atual conjuntura em que nos encontramos como sociedade.

Na prática, somente o trato direto com animais sem intervenção e mobilização nos diversos espaços da sociedade pode estar alimentando um círculo vicioso que não educa a população; pelo contrário, a “des-educa”, quando não contempla a luta pelas políticas públicas de cunho biocêntrico. Isto envolve a educação, saúde, e mesmo o consumo, itens orientados por legislação e projetos de governo municipais, estaduais e federais.

Se começarmos a investigar a origem da violência contra todos os animais, retornaremos novamente à sociedade, à humanidade. Humanidade esta que deve ser o foco da nossa ação, sim. Como agir em defesa dos animais sem enfrentar a origem da problemática?

Ao reproduzirmos ações pautadas na frase inicial, enquanto entidades de defesa dos Direitos Animais, não estaremos transformando essa realidade. Estaremos sempre pulverizando ações, mesmo que pautadas na libertação animal, mas não estaremos participando efetivamente do controle social. Este, quando abraçado por defensores dos Direitos Animais, já nos mostrou algumas conquistas, citadas em textos anteriores. As conquistas ainda são tímidas, sim, pois são reflexo da própria falta de mobilização das inúmeras entidades de proteção animal distribuídas em nosso país.

Com tantas entidades por aí, legalmente constituídas, quantas já participaram de espaços democráticos de decisão coletiva e deliberativa, como conselhos, comissões, fóruns, câmaras técnicas, conferências? Levar discurso e propostas de cunho biocêntrico num coletivo carnívoro, por exemplo, não é nada fácil de se fazer sozinho. Mas em grupo, com nossos companheiros de luta, nos fortalecemos e conseguimos avançar em alguns pontos. Estamos levando nossos valores para dentro desses espaços? Se não, como poderemos cobrar e criticar os governos e empresas, esbravejar do lado de fora, se não mostramos o caminho alternativo ao antropocentrismo?

As pessoas podem retrucar: “mas não tenho paciência com essas coisas, meu negócio é lidar com bicho”. Realmente, haja paciência, queima de neurônios, trabalho de produção oral e escrita, estudos. Mas se pertencemos realmente ao movimento de defesa dos Direitos Animais, vale o sacrifício. Enquanto aqui estamos, no conforto e segurança da nossa civilização, o holocausto animal perpetua dentro dela, e pior, se intensifica, pautado no modelo de capitalismo selvagem e alimentado pela alienação e consumismo humanos.

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  1. Concordo plenamente com vc… por mais que nao goste dos seres humanos,pois os vejo como assassinos da vida natural… devo confessar que nao adianta muito salvar um animal do atropelamento, se perpetuarem a construçao de estradas… por mais que doa… ainda precisamos é de gente que mobiliza gente pela causa dos animais… E a politização e conscientizaçao da sociedade ainda sim parece a melhor via. Mas entendo que ainda tenhamos que ter os dois grupos… os que poe a mao na massa: ou seja, socorre os bichinhos vitimas diretos da violencia humana… e os que pensam em ambito global, maior… para se fazer parar o mal… pela raiz… se é que isso um dia vai ser possivel…

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