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Experimentação em animais

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Todos já ouvimos falar que os testes com animais são necessários para o progresso da ciência, seja este progresso voltado para a medicina, para a cosmética, ou para fins militares. Atualmente, muitos apontam para o fato de que tais experimentos são desnecessários, duplicativos, muito custosos e por muitas vezes apontam para a direção errada. Enquanto muitos acreditam que a ciência pararia se os testes com animais não existissem, o fato é que métodos de pesquisa mais eficientes e fidedignos, e menos custos, existem, tais como estudos epidemiológicos, clínico e In Vitro.

Qual é a Experiência do Experimentado?

A estimativa é de que, somente nos Estados Unidos, de 20 a 70 milhões de animais (gatos, cachorros, primatas, coelhos, ratos, etc.) sofram e morram em nome da ciência a cada ano. Muitos acreditam que estas experiências sejam indolores e garantam o bem-estar do animal. Ora, será possível aplicar irritantes a sua pele e olhos, causar-lhes dor voluntariamente, viciá-las em drogas e então privá-los das mesmas, matá-los para ilustrar conceitos já bem conhecidos e privá-los de afeto e carinho e ainda assim garantir o seu bem-estar? Obviamente, a resposta é não. Resta então acreditar que ao menos o bem-estar de nossa espécie está sendo garantido com tais testes. Porém, esta última crença também não é verdadeira. A experiência não é nada melhor para o experimentador (homem) do que para o experimentado.

Diferentes Espécies

Os testes com animais partem do princípio de que é possível entender a anatomia e fisiologia humanas através do estudo de outros animais que não o próprio homem. O fato é que os outros animais diferem imensamente do homem em seus caracteres genéticos, histológicos, anatômicos, fisiológicos, imunológicos, emocionais, psicológicos, sexuais e sociais. É por esta razão que existem médicos para humanos e veterinários especializados em outros animais que não o homem. Tão grandes são as diferenças entre cada espécie animal que um veterinário especializado em cães não tem a mesma habilidade da tratar uma vaca quanto aquele especializado nesta última espécie.

Chega de Choro

A indústria de cosméticos e produtos de uso doméstico (lustra-móveis, amaciante de roupa, etc.) é responsável pelo sofrimento e morte de cerca de 14 milhões de animais por ano em dolorosos experimentos laboratoriais. Os testes em animais conduzidos para estes propósitos são os mais ultrapassados e desnecessários. Eles envolvem testes como o Draize, no qual substâncias cáusticas são aplicadas aos olhos de coelhos vivos, sendo estes dóceis animais privados de movimentos que interfiram no teste, como coçar o olho com as patas ou contra algum objeto. A imobilização é organizada de forma que suas cabeças fiquem separadas do resto do corpo por um obstáculo. Seus olhos são frequentemente mantidos abertos por um gancho que se aplica à pálpebra e alguns coelhos quebram o pescoço ou a coluna vertebral na tentativa de escapar.

A progressiva deterioração dos olhos é então registrada pelo experimentador a cada 72 horas, geralmente. O teste se prolonga por até 18 dias e, se o animal sobreviver, ele poderá ser utilizado em outros experimentos. As reações locais ao teste vão de inchaço da pálpebra, inflamação da íris, ulceração e hemorragia até cegueira. Drogas para evitar a dor raramente são administradas porque estas, segundo os pesquisadores, podem interferir nos resultados dos testes.

Este teste vem sendo utilizado desde 1944 e é atualmente responsável pelo sofrimento e morte de milhares de coelhos todos os anos, apesar de não prevenir ou curar qualquer tipo de complicação na saúde dos humanos. Saber que um coelho fica cego depois de seus olhos terem sido colocados em contato com xampu anticaspa por 72 não ajuda muito. Nós sabemos que não devemos colocar substâncias cáusticas em nossos olhos, basta sentir a dor por si próprio ou que alguém que acidentalmente o fez nos diga que não é uma sensação agradável para que saibamos.

George Guimarães é nutricionista especializado em dietas vegetarianas. Vegetariano desde os quatro anos de idade e vegano há 14 anos, dirige a NutriVeg Consultoria em Nutrição Vegetariana, dedicando-se ao aconselhamento de pacientes vegetarianos em seu consultório enquanto colabora com instituições de ensino e pesquisa. Ministra cursos e palestras sobre nutrição vegetariana em universidades e para o público em geral no Brasil e no exterior. É docente da primeira disciplina de nutrição vegetariana na pós-graduação da UNASP e tem trabalhos publicados em revistas científicas de alcance internacional. Com participação assídua em congressos científicos e conferências no exterior e tendo publicado uma centena de artigos, é tido pelo público vegetariano e pela imprensa nacional como a principal fonte sobre o tema da nutrição vegetariana, tendo concedido nos últimos 12 anos mais de 400 entrevistas à imprensa. Também dirige as duas unidades do VEGETHUS Restaurante Vegetariano, o mais antigo restaurante vegano do Brasil e é um ativista de destaque dentro do movimento de defesa animal. Desde 2006 preside o VEDDAS (Vegetarianismo Ético, Defesa dos Direitos Animais e Sociedade), grupo que vem ganhando destaque no movimento de defesa animal por suas ações e campanhas de efeito. Seja em seu consultório, na sua colaboração em estudos científicos, nos restaurantes que dirige ou à frente de campanhas pelos direitos animais, todas as suas atividades são voltadas à difusão e argumentação científica em favor da nutrição vegetariana e do veganismo.É colunista da ANDA

Fonte : Site  Syntonia

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