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Baleias: vítimas constantes

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Inúmeras são as notícias que ouvimos sobre elas todos os dias. E, infelizmente, não são nada boas. Destacando as mais recentes, temos a temida Orca, conhecida como “baleia assassina”, ocupando cada vez mais o papel oposto ao significado de seu “apelido”. No final de 2005 pesquisadores noruegueses da ONG WWF chegaram à conclusão de que as orcas são os mamíferos que mais sofrem atualmente com a poluição no Ártico, ocupando o lugar dos ursos polares, que até então lideravam esse triste ranking. Nenhum outro mamífero ingere uma concentração tão grande de substâncias químicas maléficas produzidas pelo homem naquele ecossistema.

Enquanto isso, a Sociedade pela Conservação das Baleias e Golfinhos (WDCS – Whale and Dolphin Conservation Society) afirma, segundo notícia divulgada em fevereiro, que o estoque de carne de baleia mantido pelo Japão é tão grande que o país começou a vendê-lo como comida para cachorro. “A WDCS espera que o uso manifesto de carne de baleia como ração para cães no Japão demonstre que o programa científico de caça às baleias é uma armação com motivações políticas”, disse a organização em seu site sobre a justificativa dada pelo país para dar continuidade à caça de baleias.

Não há dúvidas de que o Japão hoje é o país-vilão quando se trata da não- proteção às baleais. Apesar de ser proibida em nível mundial desde 1986, através de uma moratória internacional, a caça comercial às baleias continua a acontecer no país com a justificativa de fins científicos.

A questão delicada da moratória é o fato de permitir aos países se auto-outorgarem licenças para a captura de baleias para pesquisas. O Japão abusa dessa norma e mata centenas de baleias por ano com o argumento da “pesquisa científica”. A carne e a gordura resultantes da “pesquisa” são vendidas livremente no mercado japonês. O grande desafio hoje é fazer com que o Japão pare de usar essa mentira para expandir sua caça comercial.

Países unidos contra a caça predatória

Embora muito ainda tenha que ser feito, as iniciativas tomadas com o intuito de assegurar a conservação das baleais e dar um fim a prática da caça são (felizmente) antigas. A CIB – Comissão Internacional da Baleia (IWC- International Whaling Comission) foi criada em 1946 e desde então a caça vem sendo discutida e restringida. Além disso, as brigas de ONGs defensoras da espécie são intensas por  exemplo, ambientalistas do Greenpeace arrastaram uma baleia morta até a entrada da embaixada japonesa em Berlim, na Alemanha, num protesto contra a caça.

A Comissão Internacional da Baleia é um organismo multilateral formado por 40 países membros, dentre eles o Brasil. A CIB é até hoje a única organização multilateral dedicada especificamente ao manejo e conservação dos cetáceos. Ao longo de décadas a falta de controle sobre a caça de várias espécies de baleias levou diversas delas à beira da extinção e os protestos mundiais contra essa atividade predatória fizeram com que muitos países abandonassem a prática, gerando conseqüente mudança nas políticas governamentais. Hoje a CIB possui uma maioria de países não-caçadores e suas atividades abrangem diversas facetas da conservação e do uso não-letal de cetáceos. No Brasil a caça é proibida há mais de 20 anos (Lei nº 7.643, 18/12/1987). Mesmo com uma complexidade de problemas ambientais, estamos entre os países mais avançados do mundo no que diz respeito às políticas e projetos para a conservação e o uso não-letal dos mamíferos aquáticos. A proposta brasileira de criação de um Santuário de Baleias no Atlântico Sul é um exemplo do avanço da política de conservação. Além disso, os trabalhos desenvolvidos no Brasil estão integrados com projetos realizados por outros países do continente – como Argentina, Chile e Uruguai. O objetivo final é buscar, em parceria, novos instrumentos no Direito Internacional que protejam as políticas contra a volta da matança indiscriminada de baleias.

Os dois projetos brasileiros dedicados às baleias que mais se destacam são o Projeto Baleia Franca e o Projeto Baleia Jubarte. O primeiro trabalha em prol da conservação da baleia franca, também chamada de certa ou verdadeira (right whale, em inglês). Ela recebeu este nome devido a sua docilidade e hábitos costeiros na época de reprodução, comportamento tal que acabou facilitando a prática covarde de sua caça no passado e resultando no fato da espécie ter chegado muito perto do risco de extinção.

O Projeto Baleia Franca atua principalmente na costa centro-sul do estado de Santa Catarina e tem ações integradas com projetos de outros países da América Latina, com o objetivo de garantir a conservação da
baleia franca e de outras espécies na bacia oceânica do Atlântico Sul. Entre as principais atividades.

As espécies mais conhecidas

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Baleia Azul (Balaenoptera musculus)

É a maior espécie de baleia e também o maior animal existente na Terra. Uma baleia azul já chega ao mundo com quase sete metros de comprimento, pesando perto de quatro toneladas. Depois que cresce, o exagero se acentua ainda mais: pode chegar a medir até 34 metros e a pesar 178 toneladas. Suas nadadeiras ficam com 5 metros de comprimento cada uma e a cauda atinge 7 metros de envergadura.

 

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Baleia Jubarte (Megaptera novaeangliae)

Chamada também de baleia corcunda, por seu dorso arqueado, ou de baleia-xibarte, é a baleia mais reconhecida e a mais bem estudada de todas as baleias. Realiza migrações entre as águas polares e as subtropicais. Nas primeiras é onde se alimenta no inverno, enquanto nas outras dá à luz a sua única cria, denominada baleote. Pode alcançar 16 m de comprimento e pesar 40 toneladas. Costuma dar saltos para fora da água, deixando visível quase todo o seu enorme corpo. É comum também vê-las batendo suas caudais e suas enormes peitorais na água, muito provavelmente como um meio de comunicação.

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Baleia Franca (Eubalaena glacialis)

A baleia franca também é conhecida como baleia verdadeira. Ganhou este nome por sua docilidade e hábitos costeiros na época da reprodução. Seu corpo é negro e arredondado e seu ventre apresenta manchas brancas irregulares. A cabeça ocupa quase um quarto do seu comprimento total e nela há um conjunto de calosidades, ou verrugas, formadas por espessamentos naturais da pele. Estas verrugas são colonizadas por pequenos crustáceos que passam de mãe para filho e acompanham a baleia franca durante toda sua vida. Pode alcançar 16 m de comprimento e chega a pesar 42 toneladas.

Outra característica dessa espécie é o seu esguicho em forma de “V”, resultante do ar aquecido acumulado expelido muito rapidamente quando ela emerge para respirar. Esse esguicho pode atingir de 5 a 8 metros de altura.

 

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Baleia Cinza (Eschrichtius robustus)

Espécie de tamanho médio (alcança 14 m de comprimento) que atualmente habita somente a zona norte do oceano Pacífico. É um dos mamíferos que realiza uma das migrações mais longas, pois percorre a distância de 10 mil km, desde as baías do norte do México, onde a fêmea dá à luz a sua cria no inverno, até o norte do mar de Behring, onde se alimenta (no verão) de invertebrados. Sua pele, salpicada de cor negra, cinza e branca, forma um desenho característico que permite diferenciar cada indivíduo.
No projeto estão estudos sobre dinâmica populacional, ecologia comportamental, monitoramento do turismo com embarcação para observação das baleias, além de um trabalho de conscientização das comunidades da região de ocorrência da baleia franca.
Como o próprio nome define, o Projeto Baleia Jubarte desenvolve atividades de conservação da Baleia Jubarte, que no Brasil tem sua ocorrência concentrada no Arquipélago de Abrolhos, no sul da Bahia.

Entre os meses de julho a novembro, as baleias jubarte chegam e se concentram na região com o propósito de reprodução e cria dos filhotes, que deverão ganhar peso para retornar com suas mães para a Antártica.

A baleia jubarte, também chamada baleia corcunda ou preta, é conhecida pelas acrobacias que realiza (saltos, exposição de cabeça e nadadeiras) e pelas nadadeiras peitorais extremamente longas – elas atingem quase 1/3 do comprimento total do corpo. Entre as atividades desenvolvidas pelo projeto estão, a avaliação do tamanho da população das baleias no arquipélago, a identificação individual de cada animal, o estudo de seu comportamento e interação com barcos de turismo e a realização de atividades de Educação e Informação Ambiental na região do Banco de Abrolhos.

A crueldade da caça às baleiascauda

 

A caça de baleias data da Idade Média, quando o objetivo era apenas o consumo de sua carne. Alguns séculos depois o homem descobriu que poderia aproveitar sua gordura e dela extrair óleo para produção de sabão, margarina e velas. Na era moderna o óleo passou a ser usado na indústria têxtil, de lubrificantes e cosméticos. Além disso, o homem insiste em usufruir de outros “derivados”, como marfins das barbatanas, rações animais, carne congelada comestível, extratos de carne e fígado, entre outros.

Independente do motivo, o fato é que a caça indiscriminada reduziu drasticamente quase todas as populações de baleias do planeta. Há cerca de 50 anos, um médico integrante de uma equipe de barco de pesquisa de baleias na Antártica fez a seguinte colocação sobre a caça destes animais: “Se um dia pudermos imaginar um cavalo com dois arpões com explosivos cravados em seu estômago tendo que puxar um caminhão pelas ruas jorrando sangue talvez tenhamos uma idéia do método utilizado para matar baleias. Os caçadores mesmo admitem que se as baleias pudessem gritar, ninguém iria suportar e a indústria que faz uso de sua carne e gordura iria desistir da caça.”

Covardias à parte, o Instituto Baleia Jubarte enumera vários motivos para não se matar baleias, entre eles:

* São animais únicos, os maiores que já viveram no planeta desde que a Terra se formou. As baleias são dóceis e pacíficas.
*Baleias geram 1 filhote em média a cada 3 anos. Elas não são peixes, que colocam mais de 1 milhão de ovos por 2 ou 3 vezes ao ano.
* Inteligência é medida através da massa cerebral – a maioria das espécies de baleias e golfinhos possui cérebro relativamente maior que os dos seres humanos.
* São animais que não têm pátria, são mundiais. Ou seja, são “patrimônio” da Terra sem limites geopolíticos – uma herança comum a todos seres humanos.
* Cetáceos vivos podem gerar incrementos na economia de uma forma global e não centralizada, através do desenvolvimento do turismo (whalewatching).
* Os produtos oriundos das baleias são todos substituíveis.
* Existe a argumentação de que baleias competem com os seres humanos no que se refere à alimentação (peixes). Esse argumento é infundado. A pesca exploratória é que é comprovadamente predatória.
* São animais que não têm pátria, são mundiais. Ou seja, são “patrimônio” da Terra sem limites geopolíticos – uma herança comum a todos seres humanos.
* Cetáceos vivos podem gerar incrementos na economia de uma forma global e não centralizada, através do desenvolvimento do turismo (whalewatching).
* Os produtos oriundos das baleias são todos substituíveis.
* Existe a argumentação de que baleias competem com os seres humanos no que se refere à alimentação (peixes). Esse argumento é infundado. A pesca exploratória é que é comprovadamente predatória.

WhalewatchingA observação turística de baleias, ou whalewatching, surgiu na década de 1950, na Califórnia. Diz-se que a observação dos animais começou a ser feita por alunos de oceanografia, que iam a campo para fazer o registro da migração anual das baleias cinzentas. Com o tempo outras pessoas começaram a se interessar pela atividade, principalmente nos Estados Unidos. De passatempo ela ganhou status de atividade turística.

Em 1981, um encontro internacional denominado Whales Alive (Baleias Vivas), deu um impulso decisivo para que a observação de baleias se espalhasse pelo mundo. Nos dias de hoje o turismo para observação de baleias e golfinhos no seu ambiente natural já ocorre em 90 países ou territórios, gerando mais de 1 bilhão de dólares por ano. Cidadezinhas estão em pleno desenvolvimento econômico por terem as suas águas visitadas por cetáceos.

 

No Brasil, o whalewatching começou em 1990 em Abrolhos, na Bahia, onde operadoras de mergulho que realizavam saídas para o arquipélago começaram a explorar o filão de inverno com a presença das baleias jubarte. Em Santa Catarina a atividade começou em 1998. No sul a maior parte das atividades de observação é feita em terra, uma vez que as baleias francas nadam até 30 a 40 metros da praia, podendo ser facilmente vistas de terrenos mais altos.

O turismo de observação é uma forma de fazer com que as comunidades costeiras lucrem diretamente com a presença dos animais, funcionando como uma alternativa econômica para substituir a caça. A observação embarcada de baleias é regulada pela Portaria IBAMA 117/96, que define uma série de medidas com o intuito de assegurar que os animais não serão perturbados.

Principais ameaças às baleias– Caça comercial de baleias e pequenos cetáceos.
– Degradação do ambiente marinho pelo rápido crescimento das áreas costeiras.
– Efluentes industriais carregando seus produtos químicos.
– Superexploração dos estoques pesqueiros, reduzindo o suprimento de alimentos.
– Aumento do número de embarcações, resultando na mortandade de cetáceos devido às colisões.
Legislação Brasileira de Proteção aos Cetáceos
Existem atualmente duas portarias e uma lei que visam proteger as espécies de cetáceos que ocorrem em águas brasileiras. São elas:
– Portaria nº N-011, de 21 de Fevereiro de 1986 __ “Proibir, nas águas sob jurisdição nacional, a perseguição, caça, pesca ou captura de pequenos Cetáceos, Pinípedes e Sirênios.”
– Lei nº 7.643, de 18 de Dezembro de 1987 __ “Fica proibida a pesca, ou qualquer forma de molestamento intencional, de toda espécie de cetáceo nas águas brasileiras.”
– Portaria nº 2.306, de 22 de Novembro de 1990 __ “Fica proibido qualquer forma de molestamento intencional a toda espécie de cetáceo nas águas jurisdicionais brasileiras.”

 

Raio-X das Baleias
Baleia é o nome comum dos mamíferos marinhos que constituem a ordem Cetacea (chamados cetáceos). Em geral, as espécies que têm mais de 4 metros de comprimento são chamadas baleias, enquanto as espécies menores formam o grupo dos golfinhos e das toninhas. Os cetáceos possuem sangue quente e respiram o ar atmosférico por meio de pulmões, indo à superfície em intervalos regulares para respirar.

Anatomia
As baleias possuem corpo hidrodinâmico, o que facilita a natação. A cauda é grande e constitui o principal órgão propulsor de deslocamento. O corpo é coberto por uma camada de gordura que ajuda na flutuação do animal e na conservação do calor, além de ser um meio para armazenar energia.
As narinas localizam-se bem no alto da cabeça. Quando sobe à superfície após a submersão prolongada, as baleias expelem através das narinas o ar quente e úmido dos pulmões. Este se condensa em contato com a atmosfera formando uma coluna de gotículas de água que às vezes se ergue a mais de seis metros de altura.
A audição é o sentido mais importante das baleias. Sabe-se que produzem ao menos dois tipos de sons: os que intervêm em seu sistema de ecolocalização e as vocalizações. Os sons de ecolocalização funcionam como uma espécie de sonar biológico, enquanto as vocalizações são as conhecidas canções das baleias, que se constituem em um meio de comunicação entre os membros da mesma espécie.
A baleia pode viver 30 anos em média. A gestação varia de 9 a 16 meses, resultando em um ou, raramente, dois filhotes. O período de amamentação é de um ano e é nesta fase que aprendem a pescar com o seu grupo.

Alimentação
As baleias se alimentam de peixes, lulas e krill (pequenos crustáceos). Apesar de sua imensa boca, todas as baleias têm o esôfago muito estreito. Por isso nutrem-se de pequenos peixes e organismos marinhos, que recolhem enchendo a boca de água e depois deixando-a escoar através de uma rede de 400 lâminas ósseas, que substituem os dentes – que as baleias não têm ( a orca é uma espécie de golfinho e por isso tem dentes).

Ordem Cetacea

Ocorrência
As baleias habitam todos os oceanos, como também mares, estuários (poucas habitam os rios). No Brasil existem 8 espécies de grandes baleias: a azul (muitíssimo rara), a baleia-fin, a baleia-sei, a de Bryde, a minke, a franca, a jubarte e o cachalote.
Todas estas espécies foram vítimas da matança comercial desenfreada que perdurou no Brasil até meados da década de 80. Ainda que algumas venham se recuperando, todas, em maior ou menor grau, estão ameaçadas de extinção.

 Por Marcelo SzpilmanO encalhe de baleias é um problema absolutamente esporádico e sobre o qual o homem pouco ou nada pode interceder.

 Todos os dias, de forma ativa e proposital, agredimos os ambientes naturais, matamos milhares de animais selvagens, depredamos as florestas e isso pouco nos comove. Então, por que razão o encalhe de uma baleia jubarte em Niterói e seu triste desfecho,do qual não temos culpa alguma, promovem uma comoção nacional? Como diz Ulisses Mattos em seu artigo Salvem as Baleias (JB, 05/09/2004); “Quem não gostaria de dizer que já salvou uma baleia da morte? É muito mais onda do que levar um gatinho vira-lata para casa. E nem se sabe bem por quê. Não dá para explicar as correntes humanas que se formam para ajudar esses cetáceos ou as aglomerações comovidas pela impotência diante daquele triste espetáculo.

É como se uma morte de 10 toneladas pesasse mais do que as mortes que conhecemos, de alguns poucos quilos”.

Infelizmente, ao contrário do que gostaríamos, pouco podemos fazer quando uma baleia encalha. Quem frequenta a praia sabe que um adulto de 80kg sentado na areia na beira da água cria um buraco e afunda na medida em que as ondas batem. Nessas circunstâncias, empurrar ou puxar na tentativa de “desencalhar” essa pessoa não são as melhoras medidas, mas sim levantá-la. Imagine, então, uma baleia pesando toneladas e sem nenhuma intenção de ajudar nas bem intencionadas, mas inócuas tentativas improvisadas de resgate.

Como afirma José Laílson Brito Jr., oceanógrafo e coordenador do Projeto Maqua, da UERJ, dos seis encalhes de animais vivos acontecidos nos últimos 12 anos, ele só presenciou um caso de sucesso: o de uma baleia que encalhou em 1991 em Saquarema (RJ). Ainda assim, grande parte do êxito, segundo ele, se deveu às condições da maré e da praia em que ela encalhou.

Na verdade, a melhor ajuda que podemos dar a uma baleia encalhada é isolar a área para que os curiosos e metidos não atrapalhem ou machuquem o animal. Com raras exceções, somente a sorte e própria natureza podem interceder a favor da baleia nesse momento. Se ela não consegue se desencalhar sozinha em até 24 horas, o enorme estresse e os danos provocados em sua estrutura física e em sua fisiologia, que não foram projetados para suportar tamanho peso e compressão, passam a determinar seu fim. No caso da jubarte de Niterói, o grande problema foi ela ter encalhado na maré alta, o que certamente impossibilitou seu desencalhe.

O aumento do número de baleias encalhadas, curiosamente, tem a ver com o aumento das populações de baleias no litoral brasileiro. Graças à proibição da pesca da baleia e ao excelente trabalho de proteção e preservação que vem sendo realizado há mais de 10 anos pelo Projeto Baleia Jubarte e pelo Projeto Baleia Franca, a quantidade de baleias que hoje nadam ao longo do nosso litoral em suas rotas migratórias aumentou bastante, o que também aumenta as chances de um encalhe.

As causas naturais do encalhe de baleias podem ser as mais variadas, indo de doenças que provocam problemas no senso espacial à inexperiência no cerco de uma cardume de sardinhas. Contudo, não podemos nos esquecer que o encalhe de baleias sempre foi e sempre será um evento incomum da natureza do qual os homens não participam. No entanto, sempre existem alguns, felizmente poucos, que têm enorme prazer em aparecer na mídia, ignorando o sofrimento do animal. Para esses, quanto mais encalhe, melhor.

Santuário de Baleias no Atlântico SulDevido à evolução da política nacional para os mamíferos aquáticos, o Brasil atualmente integra o bloco dos países pró-conservação, defendendo a proteção integral dos cetáceos contra a caça predatória. E hoje o país também é autor de uma proposta avançada de conservação da espécie: a criação de um Santuário de Baleias no Atlântico Sul. A idéia está sendo estudada pelo CIB e necessita da aprovação de três quartos dos países membros para resultar na criação efetiva do santuário.

A proposta do Brasil, que tem o co-patrocínio da Argentina, é estabelecer um santuário para as baleias em toda a área do Oceano Atlântico, desde a linha do Equador até o limite de 40ºS, onde se inicia o já criado Santuário Antártico. A região definida na proposta engloba, além do alto-mar, as costas do Brasil e da África. A área é de significativa importância para a reprodução, amamentação, migração e a alimentação para onze das quatorze espécies de baleias existentes no mundo.

Atualmente, existem duas grandes áreas designadas como santuários de baleias no mundo. Uma delas, criada em 1979, localiza-se no Oceano Índico e outra nos Mares que circundam a Antártica, estabelecida em 1994. Os santuários servem à promoção da pesquisa científica sobre espécies e habitats, proteção da biodiversidade, manutenção dos processos ecológicos, geração de oportunidades educacionais e desenvolvimento do turismo sustentável.

O Brasil defende a criação do Santuário do Atlântico Sul, que se ligará ao santuário Antártico, desde 1998. A proposta ainda não foi aprovada na CIB por pressão de países que temem a ratificação de critérios rígidos contra a caça.
 

Jaqueline B. Ramos, jornalista ambiental – jaquelinebramos@globo.com / www.ambientese.blogspot.com

Saiba Mais:
http://www.projetopeixe-boi.com.br/
http://www.ibama.gov.br/cma
http://www.inpa.gov.br

Fonte: Instituto Aqualung

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