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Alcateia de lobo ibérico é ameaçada por Parque Eólico

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O último reduto do lobo ibérico a sul do Douro pode estar ameaçado pela construção de um parque eólico na zona onde vive a alcateia (da Serra) de Leomil, a mais importante e estável desta região do país. “Pode ser um golpe muito grave para a população de lobos a sul do Douro”, alertou um dos pesquisadores que tem acompanhado esta alcateia nos últimos anos, frisando que “a construção deste parque eólico é um ataque ao seu último reduto”.

Está em risco a sobrevivência da alcateia de Leomil, que vive numa zona isolada, tranquila e quase sem acesso, que será radicalmente transformada com a instalação do Parque Eólico do Douro Sul, com 103 aerogeradores. Segundo os pesquisadores, a construção deste parque afetará “mais de 60% do território da alcateia”, incluindo centros de atividade e o local de reprodução, o que pode colocar em risco sua sobrevivência.

Esta alcateia, enquanto fonte de animais dispersantes, assume também relevância na manutenção da população de lobos na região, pelo que poderá ser também colocada em risco a sobrevivência de toda a população desta espécie a sul do Douro, que já se encontra “isolada e ameaçada”.

Segundo a Diretiva Habitats, da União Europeia, o lobo é uma espécie prioritária para a conservação, além de estar classificado, em Portugal, como espécie ‘em perigo de extinção’. A legislação nacional proíbe o abate e a captura de lobos, mas também a destruição ou deterioração do seu habitat e a sua perturbação, principalmente durante o período de reprodução.

A população de lobos existente a sul do Douro é muito reduzida, apresenta um nível elevado de fragmentação e reduzido de reprodução, caracterizando-se por uma grande instabilidade populacional. A mais importante e estável alcateia desta região vive na Serra de Leomil, que, apesar de ser um dos últimos redutos do lobo, não possui qualquer estatuto especial de proteção.

Os pesquisadores que têm estudado a alcateia de Leomil nos últimos anos confirmaram uma elevada taxa de reprodução, considerando-a como a mais estável de toda a região a sul do Douro. Os estudos indicam que a alcateia, ao longo de todo o ano, ocupa de forma homogênea e contínua a Serra de Leomil, entre Moimenta da Beira e Vila Nova de Paiva, onde foram identificados dois centros de atividade.

O principal é a ‘Ribeira dos Cubos’, onde foi confirmada reprodução em agosto de 2008, sendo considerado o local mais importante para a conservação da alcateia. A ‘Corga do Redondelo’ é o centro de atividade secundário, tendo sido local de reprodução em anos anteriores até que um incêndio, em agosto de 2005, destruiu a vegetação e a zona deixou de ter condições para abrigar a alcateia com as suas crias. Para os pesquisadores, a proteção destes dois centros de atividade é prioritária, já que se trata de zonas importantes para a preservação do lobo na Serra de Leomil.

Fonte: Última Hora

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