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Geração Playstation

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Desde os banais realities shows a novelas e programas infantis, a televisão sempre usou e abusou dos animais para alavancar a audiência. Todas as emissoras têm pelo menos um programa que proporciona sofrimento aos animais por diversão aos seres humanos. Olhos como iguarias, cobras como inimigas, cachorros e gatos como pets, exemplos vistos todos os dias.

Ainda muito pequenas, as crianças são envolvidas em situações de total insensibilidade com os animais. O programa diário Bom dia e Cia, do SBT, utiliza dois ratinhos em uma das suas atrações tão antiquadas quanto tudo o que a emissora produz. Nela, a criança da vez escolhe qual rato será o primeiro a atravessar o tubo transparente, no qual é possível ver um caminho com pedacinhos de ração que os instigam a encontrar o comedouro cheio no final do percurso. Os ratinhos estão obesos e fazem movimentos repetitivos que demonstram claramente que não estão felizes e saudáveis.

É muito triste saber que, ao usar animais em quadros como esse do SBT, cria-se na criança a ideia que a maioria das pessoas cultiva – os animais existem para nos servir. E a televisão tem um aliado muito forte: o brinquedo.

Fui com meu filho, Pedro, comprar presentes de aniversário para alguns de seus amigos e, na loja, me lembrei de como é comum brinquedos que trazem o especismo ao subconsciente das crianças de maneira tão enfática. Bonecas montadas em pôneis, fazendinhas com porcos, vacas e cavalos, jogos de pescaria e até caminhões carregados de animais. De forma lúdica, as crianças aprendem a prender, torturar e matar. E isso pode ser treinado com todo realismo em jogos de videogame. Muitos, inclusive, somam pontos com o assassinato de pessoas e até com violência sexual. Sim, parece loucura e é. O Pedro tem nove anos e ganhou de presente um desses jogos. Pelas imagens da caixa, imaginei que não fosse apropriado para a idade dele e depois soube que não é próprio para idade nenhuma. O jogo é o mais violento de todos e, pasme, é também o mais vendido no mundo. Quanto mais bater e matar, mais pontos o jogador terá.

Qualquer pessoa sabe que levar o ‘faz de conta’ para a realidade é algo corriqueiro na vida da criança. Por mais que não se possa generalizar, é utopia pensarmos em um mundo melhor quando as crianças nascem em ambientes que permitem com naturalidade entreter com o objetivo de ser cruel para vencer. Penso que, se queremos mudanças positivas no mundo, devemos ser a voz dos animais enquanto pais e educadores. Vivemos tanta brutalidade com a nossa própria espécie porque a maioria não tem internalizado em si o quão absurdo é matar um animal para qualquer que seja a finalidade.

Assim como já disse Pitágoras, em sua famosa frase:

“Enquanto os homens massacrarem os animais, eles se matarão uns aos outros. Aquele que semeia a morte e o sofrimento não pode colher a alegria e o amor.”


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  1. Paula,
    Seu texto mostra como nasce a cultura da violência. Que sejamos nós, então, a voz dos animais. E parabéns pela bela reflexão…

  2. Cara Paula, já enviei centenas de e-mails a produção desse programa e nem resposta eles se dignam a enviar.
    Sua crônica, excelente e tocante, devia vir junto com o nenem na maternidade.
    Parabéns!

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