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Animais raros podem sofrer com construção de obra no RJ

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Foto: Divulgação
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Além da perereca Physalaemus soaresi, de apenas dois centímetros, outro diminuto animal, o peixinho Notholebias minimus, pode sofrer com a retomada da maior obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Rio de Janeiro: o Arco Metropolitano, em Seropédica, na Região Metropolitano.

Segundo o biólogo Sérgio Potsch de Carvalho e Silva, responsável pelo laboratório de répteis e anfíbios da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o peixe também é praticamente uma exclusividade do brejo da reserva da Floresta Nacional Mário Xavier. Parte dos 77 quilômetros do arco ocupa 1,6% (cerca de 80 mil metros quadrados) da floresta.

“A perereca foi descoberta na década de 60. Pesquisas mostram que ela não existe em nenhuma outra área a não ser naquela reserva específica. Com o peixinho acontece o mesmo. A mata em si não tem grande importância científica, mas tem um significado imenso como habitat dessas espécies”, explicou Potsch.

Muro metálico como solução

Nesta quarta-feira (30), técnicos da Secretaria Estadual de Obras vão ser reunir com técnicos do Ibama e do Instituto Chico Mendes para discutir a melhor solução para preservar as pererecas e dar continuidade às obras do Arco Metropolitano.

Foto: Cyro de Luna/ Divulgacao
Foto: Cyro de Luna/ Divulgacao

O biólogo enfatiza que a Constituição diz que todas as espécies devem ser preservadas. E vai mais além: “Precisamos continuar estudando essas espécies para saber o porquê de só existirem naquele determinado local”. Para ele, a construção do muro de metal cercando o brejo com tubulações servindo de “bichoduto” proposto pelo governo do estado para salvar as pererecas é uma medida paliativa. E que não se sabe que tipo de interferência a cerca pode representar para a colônia.

“Trata-se de uma espécie que tem uma audição muito sensível. Já imaginou a barulheira que fazem os carros passando na estrada sobre a tubulação? Não sabemos como o barulho de caminhões e a intensa movimentação da obra pode interferir na vida das pererecas. E como a desova delas é uma espécie de espuma, a poeira da obra poderá contaminá-las, assim como vai cair na água onde vivem esses animais”, calculou o biólogo.

Área já foi impactada

O projeto da Secretaria Estadual de Obras prevê como solução para a preservação dos animais a construção de uma cerca metálica isolando-os da obra. Segundo o subsecretário de Obras Vicente Loureiro, para diminuir os impactos ambientais nessas colônias, durante as obras o terreno seria molhado para diminuir a quantidade de poeira.

“A área em questão já foi desmatada e já pagamos R$ 200 mil de indenização por ela. Acredito que esta seja a melhor solução para dar prosseguimento às obras e preservar as espécies. O manejo desses animais seria muito complicado e encareceria muito a logística da obra”, calculou Loureiro.

Com informações do G1

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