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Entidade prepara lista oficial de aves de Belo Horizonte (MG)

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Não é possível saber exatamente quantas, assim como não há dúvidas de que elas são muitas, espalhadas em todas as regiões de Belo Horizonte, sobretudo em áreas arborizadas. Mas o mistério em torno das aves da capital está perto do fim. Em dezembro, o Ecoavis Ecologia e Observação, grupo que acompanha de perto os pássaros de BH, vai concluir a primeira lista oficial de espécies do município. Há um ano, integrantes da entidade, que tem cerca de 100 membros, com binóculo na mão e muita paciência, encarregam-se de analisar pássaros em praças e parques. Em 70% dos casos, o canto é o elemento determinante na identificação do animal.

A listagem já ultrapassa 300 espécies, 150 delas encontradas na malha urbana, de acordo com o ornitólogo Gustavo Pedersoli, um dos pesquisadores. “É uma quantidade expressiva, favorecida pela diversidade de ambientes. Belo Horizonte é uma área de transição de biomas, tem aspectos de mata atlântica e de cerrado”, justifica.

Alguns locais já contam com registros: o Parque das Mangabeiras, na Região Centro-sul, tem cerca de 120 espécies. Na Região da Pampulha, são em torno de 120, inclusive aves que dificilmente serão encontradas em outras regiões da cidade. De acordo com o ornitólogo e mestrando da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Daniel Dias, principalmente frangos-d’água, marrecos, garças e biguás escolheram a Lagoa da Pampulha como hábitat. Embora sejam aquáticas, as duas últimas dormem em árvores à noite. “Contamos, há poucos anos, 1,3 mil biguás e 1,7 mil garças pequenas.”

Variedade

Em sua fundação, BH recebeu árvores de origem estrangeira, como magnólia, flamboyant, tipuana, figueiras, escumilha, murta, entre outras. Com o tempo, foram introduzidas espécies nativas, como ipê, quaresmeira, paineira, pau-brasil, sete-cascas. Apenas nas vias públicas há 250 mil exemplares, segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Como a arborização garante abrigo, ninho e alimento para a maioria dos pássaros, a variedade de árvores também atraiu diversos tipos de aves (veja arte).

Mas, pela falta de um estudo anterior, fica difícil saber se houve aumento ou queda no número de espécies e indivíduos. Valem mais as constatações práticas. O bandeirinha, por exemplo, não é mais visto. “É uma espécie que depende de área conservada. A expansão urbana pode ter ocasionado a exclusão local”, comenta Pedersoli. Nas últimas três décadas, outras têm aparecido, como a gralha do campo, bicho de cerrado que foi atraído pelos campos abertos criados nas cidades, explica Daniel.

Antes raros em ambiente urbano, sabiás, joões-de-barro e alma-de-gato parecem ter atingido populações estabilizadas na capital. “A cidade é muito arborizada, com bastante diversidade. Há flores brotando em diversas épocas”, comenta o ornitólogo e professor da PUC Minas Bruno Garzon. A população da discriminada pomba encolheu. “O que vemos normalmente são bandos de criadores”, ressalta.

Redução de área verde é ameaça a pássaros

Salvo espécies como pardais e pombas, que resistem a ambientes degradados, as demais aves tendem a sumir com o avanço dos prédios sobre as áreas verdes. “O ambiente urbano é inóspito para esses bichos. Macucos, perdizes, inhambus, espécies com grande dependência do ambiente natural, desapareceram”, afirma o ornitólogo Daniel Dias.

Segundo a agrônoma e paisagista Cássia Lafetá, da Gerência de Áreas Verdes e Arborização Urbana da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, no Parque Municipal Américo Giannetti, houve redução no número de espécies e de indivíduos. “Quintais que tinham árvores frutíferas e as áreas verdes ao redor da cidade estão virando condomínios”, lamenta. Ela afirma que o planejamento da arborização leva em conta o plantio de árvores que favoreçam a sustentação da fauna. “Priorizamos as espécies nativas, mas algumas árvores exóticas são importantes e benéficas”, ressalta.

Fonte: UAI

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