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Sete grandes tipos de pêlo são determinados por variações de apenas três genes

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Foto: Diana Chase, University of Utah
Foto: Diana Chase, University of Utah

Investigadores norte-americanos recorreram ao cão-de-água português para identificar o gene que torna o pêlo de alguns cães encaracolado ou longo e ondulado. Num trabalho publicado na revista Science, esta equipa de biólogos da Universidade de Utah mostra que os sete grandes tipos de pêlo dos cães de raças puras são determinados por variações de apenas três genes (RSPO2, FGF5 e KRT71).

“Descobrimos três genes que controlam 90 por cento dos tipos de pêlo que caracterizam as diferentes raças de cães”, explicou Gordon Lark, um dos 20 autores da investigação, integrada num estudo mais vasto dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos. “Ajudámos a identificar o gene que torna o pêlo encaracolado ou ondulado”, precisou Kevin Chase, outro dos autores.

Ao analisarem mais de um milhar de cães de 80 raças domésticas, os investigadores descobriram que o RSPO2 é responsável pelo bigode a as longas sobrancelhas, o FGF5 faz com que o pêlo seja curto ou longo e o KRT71 determina se o pêlo é encaracolado ou ondulado. Segundo Lark e Chase, que há anos estudam o cão-de-água português, o gene KRT71 é portador do código que produz queratina 71, uma proteína estrutural do pêlo.

Embora ambos estudem os efeitos genéticos deste gene, Lark acha que os outros dois genes envolvidos no tipo de pêlo são mais interessantes por produzirem proteínas reguladoras de uma série de processos nos organismos vivos, e não só do tipo de pêlo do cão, o que os torna relevantes para doenças de cães e humanos.

“Os cães partilham muitas doenças e outras características com os humanos”, sendo muito usados há décadas em testes farmacêuticos e médico-fisiológico-bioquímicos, referiu Lark. “Não é por isso surpreendente”, acrescentou, “que partilhem grande parte do seu genoma como o dos humanos”.

Por outro lado, segundo o cientista, a manipulação de um cão para atingir determinado objectivo pode torná-lo mais vulnerável ao cancro, a desordens imunológicas e a outras doenças do envelhecimento, reduzindo-lhe a esperança de vida. Na sua perspectiva, o estudo abre pistas sobre como os principais genes reguladores interagem com outros genes para alterar o funcionamento de um animal, podendo eventualmente comprometer a sua longevidade ou funcionamento à medida que envelhece.

Gordon Lark desenvolve há anos uma investigação a longo prazo sobre genética canina, conhecida como Projecto Georgie, nome de um cão-de-água português abandonado que adoptou em 1986. Georgie morreu dez anos depois e, quando o investigador procurava um substituto, um criador enviou-lhe o Mopsa, agora com 13 anos, que o levou a estudar a genética da raça.

Lark e Chase descobriram que o cão-de-água português é a raça ideal para a investigação genética porque todos estes animais descendem de um pequeno grupo de “fundadores” e podem por isso ajudar a encontrar os genes responsáveis por características complexas, incluindo doenças humanas causadas por interacções múltiplas de genes.

Fonte: Ciênciahoje

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