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Coletivo organiza manifestação anti-touradas na Galícia e concede entrevista

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Foto: reprodução Kaos en la red
Foto: reprodução Kaos en la red

Tradução por Carolina Dargel (da Redação)

Pelo 2º ano consecutivo, a Plataforma Ponte Vedra Antitaurina convoca uma manifestação contra as touradas para o próximo dia 8 de agosto. Por este motivo, o portal “Kaos en la red – Galiza” entrevistou Paula Pereira e Noela Campanha, duas integrantes do coletivo.

Quando nasceu a Plataforma e por quê?

A Plataforma nasceu no Verão de 2007 com o objetivo de fazer de Pontevedra uma cidade anti-touradas, na qual fique totalmente proibida esta macabra “festa” do fascismo, do espanholismo e do machismo. A Plataforma queria na época, e também nos dias atuais, chegar a todas aquelas pessoas que, ano após ano, vêem com horror a realização deste tipo de espetáculos, mas que não se mobilizavam para realizar algo de forma organizada.

Que tipo de atividades vocês fazem?

Para nós, a presença nas ruas é fundamental, nestes dias a cidade está tomada pela simbologia das touradas, centenas de cartazes e carros anunciam esta tortura animal como se estivéssemos no século XIX, por isso grande parte da atividade constitui-se em divulgação e agitação: colagens maciças dos nossos cartazes, distribuição de folhetos com os posicionamentos da plataforma…

Este ano continuamos com o colhimento de assinaturas para declarar a cidade “Amiga dos animais” e, portanto, cidade anti-touradas. Semanalmente, a Praça da Peregrina acolhe com êxito a nossa mesa, que já está se tornando uma parada obrigatória para os moradores ponte-vedreses contrários à realização deste espetáculo fascista. Prevemos também a realização das II Jornada Antitouradas Galegas com uma palestra, passeata…

Toda esta bateria de atividades tem como fim a mobilização do próximo Sábado, 8 de agosto, às 19h, na praça da Peregrina. Pelo segundo ano consecutivo, a Plataforma Pontevedra Antitouradas aguarda que a gente apóie esta iniciativa até que organizemos uma nossa.

Quais são as principais reivindicações do grupo?

O esqueleto da Plataforma traz quatro pontos que, para nós, são chaves na argumentação contra este mal chamado “espetáculo”. Em primeiro lugar, ver as touradas a partir de uma ótica ecologista, na qual se tortura um animal durante dias, e não só a tourada em si, mas também os preparativos em que o animal submetido à tourada é mal-alimentado, maltratado, sedado… tudo para assegurar que as condições ao chegar à praça sejam péssimas. Convertem a tortura animal num suculento e milionário negócio.

Também é uma festa ligada ao fascismo e ao espanholismo; de fato, é a burguesia ponte-vedresa que vive esta “festa” como própria. A Plataforma defende e apóia a cultura galega e não há cousa menos arraigada na tradição galega que as touradas, não é por acaso que 86% das galegas e dos galegos não são a favor das touradas.

O conteúdo machista está também muito presente, ainda que normalmente este aspecto seja desconsiderado neste tipo de reivindicação. É difícil não mobilizar-se contra a apresentação do toureiro como o cume da beleza e virtude, quer dizer, esse tão famoso macho ibérico.

A administração de Pontevedra é feita pelo partido político BNG há mais de 10 anos. Qual é o posicionamento de vocês quanto a isso?

O papel do BNG foi e tem sido covarde e incompreensível. Um partido que tem um discurso nacionalista e “de esquerda” tem permitido na cidade tudo isto sem se posicionar contra nem de um jeito firme nem muito menos sequer morno, o que o menor dos problemas.

Em Pontevedra, as touradas figuram nos textos editados pela prefeitura com apelo turístico, ao lado do festival de jazz, o que é um absurdo, pois assim estamos assumindo que o sadismo contra os animais está à mesma altura que as festas anuais da cidade.

O nosso grupo exige também o fim imediato de toda colaboração com a empresa proprietária da praça “Plazas y Toros S.L.” (lembremos que em Pontevedra contamos com uma única praça fixa da Galiza), assim como das ajudas públicas, sejam diretas ou indiretas, para com ela. Exigimos também a expropriação e conversão da mesma para uso público e eventos culturais.

Sabemos que o papel da administração local e dos partidos espanholistas é danosa, mas a partir da Plataforma entendemos que o BNG nom propiciou nem muito menos sequer criou um debate sobre o uso das nossas ruas para a promoção da tortura animal e das festas espanholas, portanto isto resume bem o seu papel. É claro que em política, mais que em qualquer outro meio, o movimento encontra-se caminhando.

O financiamento deste tipo de espetáculos é feito de maneira aberta? E a sua publicidade?

Conseguir números exatos sobre que quantidade de dinheiro público é destinado às touradas é uma verdadeira odisséia. Neste momento, os pedidos que realizamos na administração local para conhecer os orçamentos são sempre adiados, nunca conseguimos o documento em questão. Isso nos leva a crer que deve haver alguma informação que não desejam que tenhamos acesso.

Quanto à publicidade, sim, é também responsabilidade do governo local, já todos os meses de julho a rua e os parques são obstaculizados por pranchas de metal de um metro e meio para a colagem exclusiva de cartazes taurinos. Este privilégio só concedido a esta empresa e para estas “festas” e é, portanto, coisa da Câmara Municipal, sendo multado com 600-800 euros o boicote, colagem ou deterioração do papel impresso que anuncia as touradas. O resto de organizações, entidades e movimentos sociais não têm a sorte de ter este tratamento de favor. Somos, inclusive, identificados recorrentemente pela polícia.

O que as pessoas na rua opinam sobre as touradas?

Obviamente em Pontevedra pouca gente fica indiferente, digamos que a polarização é clara a respeito deste tema. O objetivo com que nascia a Plataforma era conseguir organizar a rejeição às touradas na cidade, e temos dado passos significativos desde a primeira experiência em 2007. Há cada vez maior aceitação que podemos perceber na coleta de assinaturas, nos atos da plataforma e na própria manifestação de 2008. Notamos que a plataforma está a mobilizando certos setores anti-touradas que não tinham meio de expressar seu repúdio às “festas” taurinas. Almejamos continuar, nos próximos anos, avançando e aglutinando cada vez mais pessoas, até que a manifestação anti-touradas seja um acontecimento anual para um a maioria do povo ponte-vedrês.

Mais informações podem ser obtidas no site do coletivo

Com informações de Kaos en la Red

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