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Sobre como é difícil escrever sobre os direitos dos animais

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É a primeira vez que me comprometo a escrever com frequência e periodicidade sobre os diretos dos animais. Já escrevi sobre guerras, injustiças sociais, tragédias naturais, sofrimentos, alegrias e também coisas fúteis, pequenas e desimportantes. Mas escrever sobre o que os animais sofrem em silêncio é uma experiência totalmente diferente. É falar permanentemente sobre a maldade humana e a covardia. É totalmente diferente escrever sobre as guerras e as injustiças entre os seres humanos, porque os animais sofrem em silêncio e não têm instrumentos para se defender, para denunciar e para agir. É falar de histórias em que os inocentes sempre acabam morrendo.

Cada vez que escrevo sobre o assunto, experimento a dor e a sensação de impotência. Pior é que muitas vezes sou tomado pela raiva diante dos fatos, tipo de sentimento que não ajuda em nada quando se quer construir alguma coisa, ainda mais quando se quer propor uma mudança de atitudes sustentada numa visão diferente das relações que temos hoje entre as vidas da natureza.
 
Escrever com raiva é o pior dos exercícios. É comunicar a descrença nos sentimentos como solidariedade, generosidade e esperança, que são o alicerce para construir dias melhores. Por isso, antes de começar a escrever, passo dias procurando dentro de mim o que tenho de melhor para dar aos que se aventurarem a ler o meu texto. Agora mesmo, estou a manhã inteira de domingo mastigando palavras e tentando escrever o que quero dizer sobre a responsabilidade que é falar sobre os direitos dos animais e o que isso significa para mim.
 
A tarefa é delicada, porque muitas vezes palavras com intensidades mal balanceadas em defesa dos animais despertam reações opostas, como se estivéssemos dando mais valor aos bichos do que aos seres humanos. Quando estou escrevendo, fico atento para não me esquecer que, entre as vidas de animais e as vidas humanas, a prioridade é o direito à vida. Por isso, não tenho receio de afirmar que o meu sentimento em relação às crueldades contra os seres animais é igual ao que sinto em relação às crianças e às populações socialmente indefesas que vivem sem direitos básicos, que morrem de fome e de doenças perfeitamente curáveis.
 
Escrever e trabalhar em defesa do direito à vida dos animais é ter viva a esperança de que o processo de fazer cessar o exercício da maldade contra os animais também ajudará a interromper a relação de perversidade entre os seres humanos. Assim como as pessoas que lutam contra a violência na sociedade devem saber que erradicá-la significa, necessariamente, terminar também a violência contra os animais.
 
Saí, andei por aí, pensando e repensando. Já é noite. Como se vê, é difícil escrever sobre os direitos dos animais, porque precisamos tocar a nós mesmos para não promovermos uma guerra entre as vidas, em nome da vida.

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  1. Por favor não desista de procurar as palavras que lhe pareçam corretas. Eles não dominam as palavras, precisam de tradutores.

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