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A predação, símbolo da Natureza

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A predação, mais do que a fome, a doença ou a superpopulação, aparece para os seres humanos como a marca por excelência da subordinação/afiliação dos outros animais à Ordem Natural, à Totalidade, porque é o melhor exemplo do preço que eles pagam; é, pelo menos, o exemplo que mais faz trabalhar nosso imaginário. Assim sendo, a predação é o melhor símbolo desta Ordem Natural à qual nós, animais humanos, supostamente escapamos graças à nossa vontade moral e aos nossos Direitos: se alguns sentem nostalgia por uma Natureza onde cada um tinha seu lugar e vivia em harmonia com os outros e com o Todo, e desejam, em um desejo de fusão mística reencontrar essa Natureza, a maior parte das pessoas prefere prosaicamente saborear a posição de privilegiados, pelo fato de serem humanos, e desejam que os outros animais continuem a se fazerem predar e parecerem imersos em uma “Natureza” de onde os humanos e super predadores teriam saído.

Se em vez de nos questionarem sobre os outros males naturais, as pessoas preferem nos perguntar sobre a questão da predação, é porque sabem que nós mesmos não a praticamos. Se, como nós pensamos, a alimentação carnívora é o símbolo fundamental da supremacia humana, a referência prática central da dominação especista, então não é surpreendente que a predação natural seja objeto de um tabu tão resistente e continue incriticável. Ela é análoga, na Ordem Natural, do nosso consumo de animais na ordem da sociedade, e ela parece ser a última justificativa. O que também acontece, como mostra a situação seguinte, com outras formas de exploração dos não humanos:

O importante, é que os pesquisadores se conscientizem que podemos tratar um animal de outra maneira. Nós queremos inculcar a noção de respeito do animal. O animal é necessário para a pesquisa científica, da mesma maneira que a lebre é necessária para a sobrevivência da raposa. A espécie humana luta utilizando as outras espécies.
Jean-Claude Nouët
Cito aqui voluntariamente uma pessoa que, como A. Lindberg, C. Elsen  e muitas outras, lutam por uma melhoria das condições de vida dos animais, mas contra a supressão da exploração e do estatuto inferior que a ela está ligada. É difícil saber se elas utilizam a referência feita à «Natureza» e à existência da predação para justificar seu ponto de vista especista, ou, ao contrário, se elas são incapazes de sair do próprio especismo pois estão coladas ao naturalismo – e à idéia de que os animais fazem parte desta «Natureza», e estão entregues a «suas leis» (das quais a predação é o emblema).

 

Fonte:Le Cahiers antispécistes

 

Yves Bonnardel – Francês, ativista desde os vinte anos de idade para a extensão da idéia de igualdade de consideração a todos os seres sensíveis, escritor e um dos fundadores da principal revista francófona sobre este tema, Les Cahiers-antispécistes (revista de teoria moral e análise política: http://www.cahiers-antispecistes.org/) e um um dos iniciadores da campanha internacional pela abolição da carne (http://aboliciondelacarne.blogspot.com)

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